O aumento de acidentes nas estradas do país constitui uma preocupação crescente. Ano após ano, vidas humanas são perdidas em circunstâncias que poderiam, muitas vezes, ser evitadas. A causa deste fenómeno não se limita apenas ao chamado factor humano , frequentemente apontado como principal culpado, mas também ao estado precário de muitas infraestruturas rodoviárias, particularmente as vias estruturantes.
Convém dar nota que a segurança rodoviária depende de vários factores, entre os quais se destacam: condutores responsáveis, fiscalização eficaz, sinalização adequada e, sobretudo, estradas seguras e bem conservadas com manutenção regular. Quando qualquer um desses pilares falha, o risco de acidentes cresce de forma assustadora.
Numa perspetiva comparativa, Angola pode aprender com a experiência de países vizinhos. Recentemente, percorri a estrada de Luanda até Windhoek, e o contraste entre os dois países é notório. No troço, Luanda até Santa Clara, na fronteira com a Namíbia, a viagem revela-se difícil e desgastante, do ponto de vista físico e psicológico. As condições da estrada são, em muitos pontos, extremamente degradadas, e sem sinalização adequada, tornando o percurso penoso para motoristas, passageiros e viaturas. Buracos enormes permanecem por anos sem reparação adequada, e crianças, entre cinco e quinze anos, realizam pequenos trabalhos improvisados de tapa crateras, pedindo dinheiro aos automobilistas que circulam pela via. Uma prática reiterada.
A escassez de patrulhas móveis reguladoras de trânsito, a insuficiência de radares de controlo de velocidade e a falta de sinalização clara tornam a condução ainda mais perigosa. Em locais onde o pavimento se encontra em melhores condições, a velocidade excessiva agrava os riscos de despiste. Persistem , igualmente , nas estradas, comportamentos de motoristas que, após utilizarem pedras e ramos como forma improvisada de sinalização em caso de avaria, abandonam esses materiais na via depois de repararem as suas viaturas.
Por outro lado, no percurso, Santa Clara até Windhoek, cerca de 890 kms, a realidade é bastante diferente. As estradas são bem conservadas, com manutenção regular e sinais claros de trânsito. A velocidade máxima permitida são 120 quilômetros por hora. Quem ultrapassar os limites de velocidade, fá-lo por sua conta e risco. Os radares e as patrulhas garantem o cumprimento rigoroso das regras de trânsito, e a sinalização é clara, visível e diversificada. Ao longo da via, de vinte a vinte quilômetros, estão construídos locais próprios para descanso.
Os “checkpoints” em Ochivelo, e entre Okahandja e Windhoek reforçam a fiscalização, e práticas simples, como o uso contínuo dos médios, que contribuem para o reforço da segurança e da visibilidade.
Esta comparação demonstra que a segurança rodoviária não depende apenas do comportamento individual, mas também da adoção de um conjunto de políticas públicas consistentes, com vista a manutenção contínua das estradas e fiscalização efectiva e sustentável.
Investir em infraestruturas rodoviárias seguras e funcionais, não é apenas uma questão de desenvolvimento económico. É, acima de tudo, proteger vidas humanas. Estradas seguras salvam vidas, promovem a mobilidade e aproximam comunidades. Angola, enquanto membro da SADC, tem hoje a oportunidade de transformar este desafio numa prioridade nacional. O futuro passa por agir com celeridade, determinação e visão na modernização das estradas, como factor de promoção do desenvolvimento.
Alcides Sakala
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