EXTERMÍNIO? - DEMETRIO KOKELU TULUMBA



Em 2005, numa das palestras presidida pelo General Mário Vasco Miguel 'Kanhanli Vatuva', naltura Secretário Geral do partido, tomei nota de uma passagem sua: "faz-se a paz com quem pode fazer a guerra". No historial da luta de libertação nacional, nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP),  só a Guiné Bissau é que pegou em armas, desferiu golpes severos ao inimigo e proclamou a independência nacional em 1973 sendo assim o primeiro país africano, de língua oficial portuguesa a livrar-se do julgo colonial. Angola teve um contigente enorme composto por efectivos vindos de toda parte do Ultra-mar sitiando assim todas as áreas onde haviam bolsas de resistência dos movimentos de libertação, a FNLA, o MPLA e a UNITA com o fito de os exterminar. Ledo engano. Tiveram que partir para negociações. 


"Não existem vitórias militares absolutas". Em 1988 as FALA ( braço armado da UNITA) tinham todas as condições reunidas para capturar ou mesmo eliminar o presidente José Eduardo dos Santos, no município de Makela do Zombo. O Dr. Savimbi a quem dependia a ordem para a ação final disse: "Com isso ão de dar por fim a guerra? "A UNITA com o seu braço armado FALA, travaram o Mavinga 85, Lomba 87 e por fim o "último assalto" que visavam o seu exterminio, no período de 1989/90, com meios de última geração. Foram travados e obrigados a regressarem. Em 1991 as FALA lançaram uma ofensiva para o Luena, numa altura em que notava-se a fragilidade militar por parte do MPLA e o seu braço armado FAPLA. 



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A Direcção da UNITA na voz do seu alto comandante, com a pressão americana, paralisou todas as acções militares no norte, leste e centro do país onde os combates eram tensos com o fito de se criarem condições do cessar fogo bilateral e dar-se sequência dos acordos que decorriam em Estoril, Portugal o que veio a chamar-se de 'Acordos de Bicesse'. O General João de Matos foi conhecedor desse enredo todo, calculista e estudioso militar, em 1994 depois de treinamento de efectivos militares com a ajuda de instrutores sul-africanos, em particular a companhia Outcom, cuja presença de efectivos era notória, ocupou a vila de Cafunfo, o Uíge e por fim o Huambo, quebrando assim as zonas estratégicas norte e centro. Não continuou com as operações militares abrindo mão à conclusão e assinatura do protocolo de Lusaka para de uma vez por  todas acabar com o conflito armado pós eleitoral que apoquentava o martirizado povo de Angola. 


Com o reacender do conflito armado em 1998, ordem dada pelo presidente da República José Eduardo dos Santos, na abertura do IV Congresso do MPLA a 4 de Dezembro, a UNITA surpreendemente reagiu e relegou as forças governamentais ao seu reduto, no fito de se corrigir os atropelos da extensão da Administração do estado que não foi mais que uma saga assassina que não visava a reconciliação nacional. Com o fim da operação 'restauro', dando fim a capacidade convencional da UNITA, o Gen. Matos disse: "está terminada a nossa missão como militares e agora é a vez dos políticos, porque a guerrilha é complicada em combate-la, movevem-se em pequenos grupos e são letais, temos exemplo de Cabinda". Onde há homens, há causa por defender, não há e nem haverá exterminio mas sim uma intenção generosa por parte de que tiver vantagem, com o fito de não acirrar o conflito que pode prolongar por mais tempo. Houve necessidade de se fazer a paz com quem pode fazer a guerra. 


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