Isaac dos Anjos Ministro da Agricultura convida bancos que não financiam financiam Pessoas Politicamente Expostas (PEPs), a sair de Angola




Governante afirmou que estas organizações vêm para Angola e "não precisam de complicar a nossa vida, se não estão disponíveis a dar, não dêem, mas não estejam a dar opiniões que não valem para nada aqui". Declarações não caíram bem no sector financeiro que procura saída da lista cinzenta do GAFI.


O ministro da Agricultura e das Florestas, Isaac dos Anjos, convidou as instituições que não financiam Pessoas Politicamente Expostas (PEP, na sigla em inglês) a deixarem o País para não serem corridas, numa mensagem que tinha como destinatários elementos do Banco Afri cano de Desenvolvimento (BAD) e da Corporação Financeira Internacional (IFC, em inglês), o braço financeiro do Banco Mundial para financiamentos ao sector privado de países em desenvolvimento. Declarações não caíram bem no sector financeiro. 

As declarações foram proferidas há cerca de um mês durante o discurso de encerramento da Conferência Nacional Sobre o Desenvolvimento do Sector Avícola, uma iniciativa organizada pelo Fundo Soberano de Angola (FSDEA), em coordenação com o Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF), que "saltaram" agora para a opinião pública nas redes sociais. Isaac dos Anjos começou por criticar um elemento do BAD que tinha estado a discursar no evento, antes de endurecer o discurso em relação a estas instituições internacionais, que aplicam medidas de conformidade rigorosas e monitorização reforçada, contrariamente ao que o ministro sugeriu de que se recusavam a financiar Pessoas Politicamente Expostas. 

"Ouvir aqui o senhor do BAD: "não... tire o PEP, mete outro". Tivemos aqui 27 anos de guerra, foi a guerra mais longa de África e talvez do mundo. E agora você tira imediatamente esse porque é PEP, vai meter outro, vai favorecer a UNITA ai ao lado e nós vamos ficar quietos? Por amor de Deus", disse. 

E acrescentou: "Temos chamado a atenção, há coisas escritas, foram escritas pelo professor Adriano Moreira, não foram por mim: cuidado com as intervenções mercenárias em determinados contextos. Portanto, as organizações e instituições vêm para aqui e vão forçando para nos imporem algumas coisas com as quais fazemos alguma resistência simpática. Não precisam de complicar a nossa vida, se não estão disponíveis a dar, não dêem, mas não estejam a dar opiniões que não valem para nada aqui". Isaac dos Anjos deu como exemplo o presidente do Conselho de Administração (PCA) do Fundo Soberano de Angola, Armando Manuel: "É um grande produtor avícola mas nem que ele se pinte, ele é um PEP. Não pode deixar de ser. Já foi ministro, já foi secretário do Presidente, hoje é um produtor e não pode ter financiamento porque foi ministro das Finanças. O seu erro foi ter aceitado ser ministro no seu país". 

Segundo uma fonte do Expansão, este acaba por ser um exemplo que evidencia porque é que estas instituições são mais cautelosas a financiar PEPs. É público que o FSDEA tem estado a investir no sector avícola. Tem uma participação indirecta na empresa Lottie Sociedade Avícola por via da sua subsidiária Makunde e também na Emirais Agropecuária, que tem importado milhares de pintos matrizes da linhagem de frango, conforme tem sido divulgado na comunicação social. 

A confirmar-se que Armando Manuel é um "grande produtor avícola" a título pessoal e o facto de o FSDEA ter promovido esta conferência e estar a investir neste sector, como é do conhecimento público, não deixa de levantar questões de eventuais conflitos de interesses e questões relacionadas com princípios de ética e até de utilização de informações privilegiadas.


Expansão


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