O Bloco Democrático assinala o 3 de Maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, reafirmando que não existe democracia sem uma imprensa livre, plural e independente.
Saúda, assim, todos aqueles e os seus respectivos órgãos que, no exercício das suas funções, adoptam como princípio a liberdade de informar com verdade, ética comunicacional e na base do contraditório.
A liberdade de imprensa não é um elemento decorativo do sistema democrático: é um dos seus pilares estruturantes. É através dela que se garante o escrutínio do poder, a transparência da governação e o direito dos cidadãos à informação. Sem imprensa livre, o espaço público degrada-se, não há critério para a procura constante da verdade e o processo democrático é esvaziado.
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No plano internacional, a liberdade de imprensa é reconhecida como direito fundamental, defendido por organizações como a Repórteres Sem Fronteiras, que monitoriza e denuncia violações desse direito e defende profissionais da comunicação social em todo o mundo. A sua actuação sustenta-se no princípio de que o acesso à informação é inseparável da dignidade humana e da governação democrática.
No nosso país, porém, a liberdade de imprensa continua a ser sonegada. Os sinais de manutenção da censura e da repressão da classe de jornalistas — e também dos utilizadores das redes sociais — são preocupantes. Segundo o Índice Mundial da Liberdade de Imprensa, Angola registou uma queda de nove posições, evidenciando um retrocesso no ambiente mediático, marcado por limitações estruturais, pressões políticas e constrangimentos ao exercício do jornalismo. Esta evolução negativa confirma que persistem entraves sérios para a consolidação de um ecossistema mediático verdadeiramente livre e independente.
Ademais, a ERCA — instrumento de regulação do Estado que deveria advogar pela liberdade de imprensa — está capturada pelo poder político.
Por isso, hoje a imprensa pública é, de facto, apenas uma imprensa oficial (do partido-Estado securitário, prova evidente do regime autocrático), sem direito ao contraditório e sem acesso para a sociedade civil e para os partidos da oposição, cujos líderes estão apartados e em situação de “morte simbólica”. Os jornalistas que ousam usar a liberdade para a qual foram deontologicamente formados enfrentam sérias consequências, podendo até perder a vida — como ocorreu com muitos, incluindo Ricardo de Melo.
Este cenário levanta questões críticas sobre o compromisso efectivo com os princípios democráticos consagrados na Constituição. Um sistema democrático não se mede apenas pela evocação de escrutínios, nem pela existência de Parlamento, partidos e associações; mede-se, sobretudo, pela qualidade das suas instituições, pelas liberdades públicas, nomeadamente a liberdade de expressão, e pela capacidade dos cidadãos acederem a informação diversificada e sem manipulação.
Em Angola, não há eleições livres e justas exactamente porque, entre outras razões, não existe franca competição entre as forças concorrentes, permitindo que o povo exerça a sua liberdade de escolha. Isso ocorre, em parte, porque a imprensa pública dominante é incapaz de traduzir, com equilíbrio, no espaço público, a oferta política de cada partido.
O Bloco Democrático entende que:
a) A liberdade de imprensa deve ser impulsionada como um bem público essencial;
b) O Estado e o partido no poder devem abster-se de qualquer forma de controlo, intimidação ou condicionamento dos órgãos de comunicação social;
c) É urgente promover um ambiente legal, político e económico que favoreça o pluralismo e a independência editorial;
d) Os jornalistas devem exercer a profissão com segurança, dignidade e sem receio de represálias morais, físicas, políticas, económicas ou outras.
Neste 3 de Maio, o Bloco Democrático apela a uma reflexão crítica sobre o papel da comunicação social em Angola. Estimula o movimento político e social a tomar medidas de pressão práticas para melhorar o ambiente da comunicação social e reafirmar o seu compromisso com a construção de uma democracia real, onde a liberdade de imprensa não seja uma promessa, mas uma prática efectiva.
Sem imprensa livre, não há cidadania consciente.
Sem cidadania consciente, não há democracia.
Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação



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