Carlos São Vicente: ascensão e queda de um empresário angolano

 


Havia em Angola um homem que tinha seguros, hotéis, bancos e a bênção da Lloyd’s de Londres. Chamava-se Carlos Manuel de São Vicente e, durante anos, foi um dos empresários mais proeminentes do continente africano.


Economista formado em Angola, no Reino Unido, nos Estados Unidos e no Canadá, São Vicente ingressou na Sonangol em 1983. Em 2002, obteve algo que nenhuma empresa africana jamais havia conseguido: uma licença de corretagem da Lloyd’s de Londres, conferindo ao Grupo AAA projecção e legitimidade internacional.

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No auge da sua actividade, o Grupo AAA detinha participações no sector segurador, em 49% do Standard Bank de Angola e na gestão de 22 fundos de pensões. Em 2015, o grupo francês Accor assinou um acordo para gerir a sua rede hoteleira, prevendo 50 unidades e 3.000 postos de trabalho. A parceria não resistiu às turbulências cambiais, com a saída da marca Ibis do país.


Com a mudança de governo em 2017, o seu percurso tomou um rumo radicalmente diferente. Autoridades em quatro países iniciaram investigações sobre a actividade do Grupo AAA. Em Março de 2022, o Tribunal Provincial de Luanda condenou-o a nove anos de prisão e ordenou o pagamento de uma multa de 4,5 mil milhões de dólares ao Estado angolano.


Para a sua defesa, São Vicente escolheu François Zimeray, advogado francês, antigo membro do Parlamento Europeu, ex-embaixador de França junto do Conselho de Direitos Humanos da ONU e sobrevivente do ataque terrorista de Copenhaga em 2015.


São Vicente mantém a sua inocência. Em 2023, o Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária das Nações Unidas manifestou preocupação com as condições do seu encarceramento. O caso permanece um dos mais complexos da história económica recente de Angola.

Luanda Post

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