Conheci o Pedro Baptista, jornalista angolano, nos anos 2002, quando vim para Luanda.
Na altura, era uma das melhores vozes da Rádio Nacional de Angola.
Pertencente ao quadro efectivo da Polícia de Emergência (era assim que chamávamos a PIR), Pedro Baptista foi um dos jornalistas a quem me inspirei quando nos anos 2008 comecei a marcar os primeiros passos no jornalismo radiofónico.
Em 2019 quando me transferi para o Ministério do Interior, edifício sede, vindo do Instituto Superior de Polícia, encontrei Pedro Baptista no Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, e, curiosamente, fui o chefe de Departamento de Comunicação, área em que o mesmo fora colocado. Portanto, fui chefe directo do categorizado Jornalista que, na época, acaba de terminar a comissão especial de serviço no Banco Sol..
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Passado algum tempo, assumi a Direcção de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, depois da mobilidade do muito ilustre comissário Waldemar da Silva, o nosso Ruca, cumulativamente com o Departamento, sob tramitação do Camarada Eugénio Laborinho, função que desempenhei por mais de dois anos e, neste tempo todo, o Pedro Baptista continuou a trabalhar comigo (Departamento e Direcção) e o transformei no principal Mestre de Cerimónias nas actividades do MINIMT.
Até ao momento que cessamos as funções no MININT, edifício sede, durante a convalescência resultante de um acidente de trânsito que sofremos, Pedro Baptista ligava e perguntava como estava a reagir.
No dia 11 de Maio de ano, portanto, no início desta semana, o companheiro, jovem alegre e de trato fácil, que nunca esteve desanimado mesmo com todos os problemas que a vida lhe proporcionou morreu, na cadeia prisão de São Paulo, em Luanda, segundo os relatos de antigos colegas.
Consta que, o homem fora condenado à prisão efectiva de três anos por motivos que até aqui não consegui apurar, embora conheça o seu histórico de vida.
No entanto, passados cinco dias desde que a voz de ouro partiu para a eternidade, Pedro está sozinho!
Sem pai, sem mãe e sem a esposa, Pedro Baptista, já morto e com os olhos fechados, continua na morgue, com aquele todo o frio, gelo por cima dele e sem óbito, como manda a tradição africana, sem funeral e “sem visita”.
Está mais difícil estar morto do que já era difícil estar vivo e, talvez, na cadeia ou no hospital.
Não há rua, não há casa, não há lugar algum onde podemos encontrar a foto do Pedro, curvarmos diante dela e dizer:
Pedro, vá em paz e que Deus o guarde.
Mesmo morto, Pedro Baptista, o Ninja, o Jornalista de voz “arrogante” e viva chora na gaveta da morgue à sua própria morte e solidão.
Chora e lamenta que mesmo morto esteja a merecer este castigo. Este desprezo, desdenho que nós os vivos estamos a dar.
Chora comigo, que mesmo com vontade de ajudar alguém com quem trabalhei por mais de quatro anos no mesmo gabinete, na mesma sala, vejo-me de mãos atadas e de respiração suspensa.
Choro eu também que sinto dor, o sufoco de ver o que posso fazer, mas sem margem de manobra.
Morreu o Pedro Baptista. Calou-se aquela voz que muito brilhou nos nossos eventos. Calou-se a voz que muito usamos para montar publicidades, anúncios e vinhetas institucionais.
Calou-se a voz mãe do anúncio da apresentação do meu livro sobre Mobilidade, feito em Fevereiro deste ano.
VAMOS ENTERRAR PEDRO BAPTISTA, meus senhores… Aos mortos não se faz justiça muito menos se exige contas.
Chore, meu companheiro. Entendo a sua dor nesta altura. Sinto o frio que sentes naquela gaveta. Sei que queres se livrar dela, mas não podes gritar, não podes reclamar.
Estou contigo, meu companheiro. Meu NINJA
Este mundo é, literalmente, ingrato para muitos
Voltaremos a ver-nos lá mais para frente.
Descanse em paz.
*Vasco da Gama, antigo colega e chefe de Pedro Baptista no MININT
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