A notícia caiu como uma bomba na palma das mãos. Perdemos a respiração. Olhos injetados. Ninguém conseguia falar. As mensagens nos telemóveis, nos grupos de WhatsApp, espalhavam-se pela cidade como estilhaços.
Não nos deixou acreditar. Como se a mentira tivesse chegado com rosto de verdade. Mas foi ao contrário.
O nosso grande saxofonista, um dos maiores expoentes do sopro em Angola e nos países africanos de língua oficial portuguesa, abandonou o mundo dos vivos. Não despediu ninguém. Não deu sinais de que o anjo da morte tinha chegado.
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Para os criadores do universo das letras em Angola, assustados, impávidos, ainda estávamos a digerir, de garganta seca, a notícia da morte de Conceição Lima, grande poeta são-tomense, falecida no dia 15 de maio de 2026. Não conseguimos respirar nem suspirar. Apenas os habituais toques telefónicos para confirmar o luto na música angolna. O silêncio espalhou-se pelos corações do grande público angolano.
O menino bonito do saxofone abandonou o mundo dos vivos sem despedir ninguém. Nem os antigos colegas do conjunto FAPLA-Povo, nem os companheiros de outros grupos por onde espalhou o brilho do seu sopro e a elegância do seu talento.
Nesta hora, as palavras voam e o silêncio fala do jovem que, com o saxofone, interpretou a alma do povo angolano. Uma figura que ficará na memória dos filhos desta terra martirizada. O bairro Sambizanga, terra que o viu nascer em 1957, hoje também chora.
Muito cedo, o bicho da arte mexeu com a sua alma. Iniciou os primeiros passos no mundo da música como baterista, depois no clarinete, ainda criança. Mas foi no saxofone que o seu génio criativo se revelou, nos conjuntos FAPLA-Povo, Merengues e Semba Tropical. Mais tarde, já radicado na terra do fado, sustentou com elevado brilho a sua carreira internacional a solo.
Deixou o ritmo do seu sopro nas músicas de Paulo Flores, um dos ícones da música contemporânea angolana, Daniela Mercury, Martinho da Vila e Pablo Milanés. Kizofado, Bisa, Ximbika e Gato Vijú são alguns dos álbuns que deixou na sua passagem pelo mundo dos vivos.
No dia 19 de maio, na Capela da Igreja São José do Operário, em Lisboa, realizou-se o velório, onde a música angolana pareceu transportar o espírito de Angola até à terra de Camões.
No dia 20, quarta-feira, António Manuel Fernandes, mais conhecido por Nanuto, partiu para a sua última morada em Portugal, no Crematório de Vale Flores.
Pombal Maria
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