Risco de saúde e alegado “excesso de prisão” levam Carlos Manuel de São Vicente a pedir libertação imediata

 


O advogado e requerente Carlos Manuel de São Vicente, detido no Estabelecimento Penitenciário de Viana (EPV), apresentou um pedido urgente de libertação dirigindo-o a diversas autoridades do Estado e a entidades internacionais, alegando que a sua permanência na prisão coloca em causa a integridade física e a vida, devido a um problema renal que requer cirurgia urológica a laser.


No documento, o requerente afirma que corre risco iminente de perda da função renal e de infeções graves, incluindo a possibilidade de sépsis, caso a cirurgia não seja realizada. Ele indica que a intervenção é necessária até  16 de junho de 2026, após ter sido submetido anteriormente a tentativas terapêuticas, incluindo uma ureterolitotripsia endoscópica sem sucesso, realizada em 17 de março de 2026.



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O pedido sustenta que a não realização de uma cirurgia urológica a laser para remoção de um cálculo renal pode agravar complicações médicas, incluindo:

- deterioração da função renal;

- obstrução do fluxo urinário;

-  infecções graves;

- outras complicações associadas ao sistema urinário.


O requerente menciona ainda sinais clínicos como hematúria (urina com sangue), episódios de alterações da pressão arterial e distúrbios de sono. Segundo o texto, a tensão arterial atingiu, em 8 de maio de 2026, valores que o requerente descreve como elevados (220/116 mmHg). O documento também faz referência a um surto no EPV, alegadamente associado a condições de higiene, água e sobrelotação.



Além da componente médica, o texto enquadra o caso numa alegação de excesso de prisão e denegação de justiça, afirmando que o requerente teria reunido pressupostos para libertação em datas anteriores. O documento cita marcos como:

- suposta libertação por cumprimento de metade do tempo em  2024;

- suposta libertação por cumprimento de dois terços em setembro de 2025;

- e refere sucessivas petições e requerimentos ao longo dos anos, incluindo um pedido entregue em  21 de março de 2026 e um aditamento em 28 de abril de 2026, ambos sem resposta no entendimento do requerente.



No pedido agora apresentado, Carlos Manuel de São Vicente requer, com carácter de urgência:


1. libertação imediata;

2. autorização para assistência médica urgente, incluindo a cirurgia em Lisboa, onde reside a família;

3. apoio para restantes cirurgias e tratamentos mencionados no aditamento;

4. medidas relacionadas com a reunificação familiar, incluindo a devolução de casas à família (esposa e filhos).


O documento termina afirmando que o caso envolve, além de uma urgência médica, alegadas responsabilidades legais do Estado no tratamento humanitário de reclusos e no cumprimento de decisões e regras relacionadas com liberdade condicional.



O requerimento é dirigido a múltiplos destinatários, incluindo instâncias ligadas à Presidência da República, justiça, serviços penitenciários, e entidades de fiscalização e direitos humanos. Entre os encaminhados constam também mecanismos das Nações Unidas, além de organizações como Cruz Vermelha Internacional, Amnistia Internacional e Human Rights Watch.


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