Há escândalos políticos que nascem nos tribunais, outros nas comissões parlamentares e alguns dentro das próprias estruturas do poder. O caso envolvendo o general Francisco Pereira Furtado parece ter seguido um caminho diferente. Dito de outro modo, nasceu nas redes sociais, cresceu nos grupos de WhatsApp e acabou transformado num dos assuntos mais comentados do país, sem conferências de imprensa, sem investigação pública conhecida e sem um único esclarecimento sólido capaz de travar a avalanche de rumores que tomou conta da praça pública.
O detalhe mais impressionante talvez nem seja o conteúdo das acusações. O que realmente chama atenção é a forma como o silêncio acabou por se tornar protagonista principal de toda esta história.
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Francisco Pereira Furtado não é uma figura secundária do aparelho do Estado.
Durante anos, esteve entre os homens mais poderosos da segurança nacional. Foi chefe do Estado-Maior General das FAA, ministro de Estado, chefe da Casa de Segurança do Presidente da República e, posteriormente, chefe da Casa Militar da Presidência. Falamos de alguém habituado aos círculos mais fechados do poder, às decisões estratégicas e aos mecanismos de controlo do Estado.
Subitamente, o país passou a acompanhar uma sequência de publicações que associavam o seu nome a alegadas relações íntimas com uma pessoa transgénero conhecida nas redes sociais como “Pauleth”. Algumas versões divulgadas nos grupos digitais ultrapassaram rapidamente o campo da vida privada. Surgiram insinuações sobre perseguições, supostas ameaças, actos violentos, tentativa de atentado e até alegações relacionadas com eventual transmissão dolosa de HIV.
Nenhuma dessas acusações foi oficialmente confirmada até ao momento. Também não foram divulgadas provas públicas conclusivas pelas autoridades competentes. Ainda assim, o caso espalhou-se numa velocidade impressionante, mostrando mais uma vez que, em Angola, um
áudio viral consegue muitas vezes viajar mais rápido do que qualquer comunicado institucional.
A situação ganhou dimensão ainda maior quando o Presidente da República exonerou Francisco Pereira Furtado do cargo de ministro de Estado e chefe da Casa Militar “por conveniência de serviço”, precisamente no auge da circulação dos rumores.
Horas antes, o general aparecia ao lado de João Lourenço numa actividade oficial. Pouco depois, já estava fora do cargo.
Na política, a coincidência quase nunca sobrevive intacta à opinião pública.
Este caso nunca teve perfil para desaparecer sozinho.
As alegações divulgadas envolvem supostos crimes graves. Falam de perseguições, ameaças, tentativa de homicídio e eventual transmissão dolosa de HIV, matéria extremamente sensível tanto do ponto de vista criminal como humano.
Mesmo tratando-se apenas de rumores, o simples facto de acusações dessa natureza circularem publicamente contra um antigo chefe da segurança presidencial já seria suficiente para exigir esclarecimentos institucionais sérios.
É exactamente aqui que começam as perguntas mais incómodas.
Se as acusações forem totalmente falsas, por que razão Francisco Furtado ainda não avançou de forma clara para os tribunais contra os autores das publicações, dos áudios e das denúncias? Um antigo ministro de Estado possui certamente meios jurídicos e institucionais suficientes para defender a sua honra.
Se existir algum elemento minimamente verdadeiro nas alegações, então também se estranha o silêncio das autoridades investigativas.
O Serviço de Investigação Criminal não pode fingir que não ouviu rumores públicos envolvendo alegadas tentativas de hom*icídio, perse*guições ou eventual transmissão intencional de uma doença gr*ave. Nenhum Estado sério ignora acusações dessa natureza quando já circulam nacionalmente e envolvem uma figura pública desta dimensão.
O silêncio simultâneo de Francisco Furtado e das instituições acabou por produzir um vazio perigosíssimo.
Esse vazio foi imediatamente ocupado pelas redes sociais.
Uma assessoria minimamente preparada teria percebido logo nas primeiras horas que o silêncio absoluto seria desastroso. Bastava um comunicado firme, equilibrado e juridicamente cauteloso para impedir que o espaço público fosse totalmente entregue às redes sociais.
Existe uma regra básica da comunicação contemporânea. Quem não comunica entrega aos outros o direito de contar a sua história.
Neste momento, a imagem pública de Francisco Furtado já não está a ser construída por ele. Está a ser construída pelos grupos de WhatsApp, pelos canais anónimos, pelos memes e pelas interpretações populares. Cada dia sem resposta aprofunda ainda mais essa realidade.
Na Mira do Crime
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