Angola sob pressão: HRMI aponta prisões arbitrárias, tortura e “muito mau” desempenho em liberdades fundamentais

 


Angola figura entre os países com pior desempenho em direitos humanos no continente africano, segundo uma avaliação da Iniciativa de Medição dos Direitos Humanos (HRMI), que denuncia prisões arbitrárias, tortura e maus-tratos, bem como desaparecimento forçado e assassinato extrajudicial.


De acordo com o relatório, Angola apresenta um desempenho **inferior em liberdades fundamentais e regista violações grosseiras nos direitos civis e políticos, com destaque para o indicador de Segurança do Estado, que recebeu a pontuação de 5,5 em 10. A HRMI sustenta que este valor traduz a vulnerabilidade de muitas pessoas a práticas como prisões arbitrárias, tortura e maus-tratos e outras formas de violência grave.

A HRMI indica ainda que o Índice de Qualidade de Vida de Angola — que mede direitos como alimentação, educação, saúde, trabalho e habitação  — é o segundo mais baixo do mundo entre 111 países analisados. O documento classifica os indicadores de direitos económicos e sociais dentro da categoria “muito mau”.


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Segundo a HRMI, a pontuação de Angola para o direito à alimentação é a pior da África Subsaariana e a quinta mais baixa do mundo, com tendência de despencar continuamente há mais de uma década.  


Para a organização, este quadro evidencia falhas persistentes na garantia de condições mínimas de dignidade e proteção social.

No campo das liberdades, a HRMI aponta que a pontuação de Angola para liberdade de tortura e maus-tratos é de 1,7 em 10,  referindo um declínio constante  face a anos anteriores. O relatório afirma ainda que Angola surge em quinto lugar na amostra global quanto a este indicador, ficando apenas à frente da República do Congo, Coreia do Norte, Venezuela e Quénia.

Entre os grupos que os entrevistados especializados em direitos humanos no terreno consideram mais em risco, a HRMI inclui jornalistas, defensores dos direitos humanos, manifestantes, mulheres, meninas e membros de sindicatos.

A HRMI afirma que a falta contínua de responsabilização por abusos, combinada com restrições à participação cívica, está a tornar o ambiente de direitos humanos cada vez mais frágil. A organização adverte que, sem resposta urgente, o governo pode reforçar uma cultura de repressão e falhar obrigações constitucionais e compromissos internacionais em direitos humanos.

Em declarações citadas no relatório, a diretora co-executiva da HRMI, Thalia Kehoe Rowden, defende que Angola possui capacidade e recursos para superar níveis abaixo da média, mas sustenta que tal exigiria  reformas significativas na forma como recursos são geridos e distribuídos.

O Rights Tracker é um projeto global que mede sistematicamente o desempenho de direitos humanos dos países. O conjunto de dados de 2026 lançado pela HRMI inclui avaliações em direitos civis e políticos (de 2017 a 2025) e dados anuais sobre direitos económicos e sociais (de 2000 a 2023), usando a metodologia do Índice SERF.


A HRMI afirma que os dados são utilizados por organizações e entidades como Amnistia Internacional, Banco Mundial e Nações Unidas.

O lançamento oficial dos dados de 2026 está agendado para 24 de Junho de 2026, às  20h WAT , com acesso para uso da mídia e sociedade civil sob embargo antes da data.

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