BNA e Gemcorp: o contrato que empurra até 2030 a gestão de bilhões — e reacende a polémica



A gestão de uma parte dos fundos e activos externos do Banco Nacional de Angola (BNA) pela Gemcorp Capital tem sido, nos últimos anos, um dos temas mais contestados no sector financeiro angolano. A relação, que começou com promessas de maior rentabilidade para as reservas do banco central, evoluiu para um debate intenso sobre transparência, controlo e conformidade.


Em 2017, o BNA decidiu investir cerca de 300 milhões de USD  no Gemcorp Fund 1 Limited, um fundo gerido pela Gemcorp. O propósito era claro: aumentar a rentabilidade de uma parcela das reservas e activos externos do banco central.

Com o tempo, a Gemcorp passou a assumir um papel cada vez mais relevante, tornando-se o principal gestor externo dos investimentos do BNA. Em alguns momentos, chegou a administrar mais de metade dos activos externos confiados a gestores privados.


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O debate intensificou-se quando começaram a surgir críticas recorrentes, destacando quatro pontos centrais:

- Falta de transparência sobre os activos específicos onde o dinheiro do BNA estava aplicado;

- Dificuldades para auditores e para o próprio BNA obterem informação detalhada sobre a carteira do fundo;

- Questionamentos legais, dado tratar-se de um tipo de investimento feito por um banco central;

- Elevada concentração de activos sob a responsabilidade de um único gestor externo.

Em 2020, o próprio BNA reconheceu que não detinha informação suficiente sobre a composição dos investimentos realizados pela Gemcorp. Esse cenário gerou reservas por parte dos auditores e impactos nas demonstrações financeiras do banco central.

De acordo com o Relatório e Contas mais recente do BNA, em 2024 foi celebrado um novo contrato que prorroga o investimento no Gemcorp Fund 1 Limited até Setembro de 2030.


O BNA justificou a renovação com a ideia de maximizar a rentabilidade do investimento. Nesse enquadramento, o fundo foi reportado em cerca de 597,2 mil milhões Kz, correspondendo a uma valorização significativa face ao ano anterior.

Os partidários do investimento argumentam que:

- a Gemcorp tem experiência em mercados emergentes;

- o fundo apresentou valorização ao longo do tempo;

- a gestão externa pode aumentar o retorno das reservas.

Já os críticos sustentam que:

- um banco central deve priorizar segurança e liquidez,  acima da rentabilidade;

- houve insuficiência de transparência sobre os investimentos;

- concentrar recursos num único gestor aumenta riscos de governação e controlo.

A relação entre o BNA e a Gemcorp continua activa e foi renovada até 2030 — mas permanece sob escrutínio. Para muitos analistas, economistas e auditores, o cerne do debate continua o mesmo: como equilibrar rentabilidade com segurança, e transparência com controlo efectivo.

Se quiser, posso também adaptar este texto para um formato mais “pronto para publicação” (ex.: estilo de telejornal, mais curto e directo, ou com linguagem ainda mais jornalística e menos explicativa).

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