O PARTIDO E A SUA GESTÃO- DEMETRIO KOKELU TULUMBA



O maior passivo dos países africanos é a administração, e as organizações políticas não fogem a regra. A UNITA é um partido com experiência reconhecida na administração, por ser, a dada altura, um partido estado dentro de um estado, controlando 72% do território nacional. Dr. Savimbi teve a capacidade de admistrar o partido, financeiramente, economicamente, politicamente e militarmente. Foi um sacrifício enorme cujos resultados são sobejamente conhecidos, fruto da sua mundividência administrativa, miniaturizando a teoria administrativa, ao aplica-la na prática. Tinha mecanismos e órgãos de controlo, combatia os desvios com ferocidade, punia os preverivadores, não tinha meias medidas quanto a prática de corrupção.


Em 2003, no IX Congresso, os três concorrentes ao cadeirão máximo do partido tinham como lema ou incluíram nos seus programas, a transferência e boa gestão da coisa pública, o que quer dizer, dos bens do partido. Foi bom assistir a gestão do presidente Samakuva, baseada na transparência, com exigências de relatórios políticos e financeiros, nas reuniões dos comités comunais, municipais, provinciais, nas reuniões da comissão política e nos congressos. O Dr. Fontoura, no início, pautou sempre como prioridade o custo com o pessoal, só depois é que atendia outras preocupações do partido. Na execução, não faltavam algumas insuficiência aqui e acolá mas o importante era o espírito da transparência que falava mais alto. Hoje, a gestão e controlo financeiro, deixa bastante a desejar, para um partido que quer ser governo em 2027 e exercer o poder do estado, para realizar Angola. Não há transparência.

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A UNITA recebe financiamento público do estado angolano, através da lei do financiamento dos partidos políticos. O valor é calculado com base no número de votos obtidos nas últimas eleições gerais: mil kwanzas (1.000,00kz) por voto para os partidos com representação parlamentar. Nas eleições de 2022 a UNITA obteve dois milhões setecentos e cinquenta e seis mil e setecentos e oitenta e seis votos (2.756.786). O que corresponde a uma dotação anual de cerca de 2, 76 mil milhões de kuanzas pagos em prestações trimestrais, dividindo esse montante por quatro, recebendo aproximadamente seiscentos e oitenta e nove milhões de kuanzas (689.000.000,00kz) por trimestre. Acrescentando as quotas dos Deputados, comissários e outras contratações, é muita quantia financeira para resolver vários problemas que apoquentam a organização. Tem havido liquidez e solvência, mas infelizmente pouco interessa com aspectos internos.


A gestão partidária leva-nos a uma organização interna, tanto em estruturas físicas, móveis, o subsídio para o pessoal, plano de ação e unidade no pensamento e na ação, para preconizarmos os objetivos traçados. Não temos secretariado geral até hoje, há inadimplências em certos edifícios arrendados, comités abandonados, subsídios que não satisfazem aqueles que "dão o litro", meios de transportes insuficientes, dívidas encontradas e criadas. De realçar que até o Mv Samakuva encontrou dívidas: do sal, café, gado, viaturas usadas no tempo do conflito armado e outras. As dívidas deixadas no seu mandato, foram dívidas assumidas pela Direção e que não sejam desculpas para a não realização de certas tarefas. O caricato nisso tudo é oferecermos carrinhas Mitsubishi L200 a movimentos estranhos a organização, a pessoas individuais, enquanto a LIMA e a JURA precisam de tais meios para poderem trabalhar e palmilharem o país. Poupemos os recursos fazendo uma gestão racional dos mesmos.


Demetrio Kokelu Tulumba.

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