A Direcção Política da FLEC-FAC anunciou, por meio de um documento dirigido à União Africana (UA), que Luanda acolherá, nos próximos dias, uma Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da UA, dedicada ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos em África, marcada para 30 de Agosto de 2026.
No texto, a FLEC-FAC endereça o seu posicionamento a Sua Excelência, Embaixador Bankole Adeoye, Comissário para Assuntos Políticos, Paz e Segurança da Comissão da UA, e aos representantes convidados da ONU e da União Europeia, incluindo António Guterres e Ursula von der Leyen.
A missiva informa que a FLEC-FAC foi fundada a 04 de Agosto de 1963 e que, nos dias do evento em Luanda, a organização celebra 63 anos de existência, recordando ainda que 52 desses anos foram acompanhados por “resistência armada” contra o regime do MPLA/Angola, na sequência da invasão ao Protectorado Português de Cabinda, em 02 de Novembro de 1974.
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O documento sustenta que a integração de Cabinda em Angola, ocorrida após a proclamação da independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, teria sido feita “sem consideração” pela especificidade histórica do território, citando ainda referências a acordos e decisões ligadas ao Acordo de Alvor (15.01.1975).
A FLEC-FAC defende que, por não haver um desfecho favorável previsto para as partes em conflito, “o grito de Cabinda” permanece voltado para o diálogo, argumentando que Angola estaria em paz desde 04 de Abril de 2002, enquanto, segundo a mesma fonte, Cabinda ainda enfrentaria mortes “à tiro de inimigo”.
No mesmo sentido, a direcção política apela à ONU, à UE e à UA para a criação de mecanismos “sérios e imparciais” para a resolução dos conflitos em África, sustentando que a UA teria, em certos momentos, cedido a influências políticas.
A missiva também pede aos líderes africanos que identifiquem as causas dos conflitos e responsabilizem “algozes”, afirmando que o silêncio teria impacto negativo entre gerações.
Por fim, a FLEC-FAC diz esperar uma participação digna e responsável no encontro em Luanda, reiterando a exigência de “um Basta” ao regime do MPLA e defendendo o diálogo com o povo de Cabinda como forma de instalar a paz e pôr fim à chamada "fronteira ideológica" entre Angola e Cabinda.
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