Um dia de reflexão e repúdio da sociedade civil angolana
A sociedade civil angolana fez, esta quarta-feira, um chamamento a todos os cidadãos para que não saiam de casa no dia 21 de agosto de 2026, defendendo que a paralisação será um gesto cívico, pacífico e silencioso. Segundo a iniciativa, o objectivo é promover uma pausa nacional para reflexão sobre acontecimentos recentes e reafirmar a exigência de respeito pelos princípios da convivência democrática.
De acordo com o texto divulgado pelo movimento, os acontecimentos ocorridos a 8 de agosto de 2026, na província do Uíge, não devem ser tratados como “mais um episódio” de disputa política. Para a sociedade civil, o que ocorreu representa um cenário “extremamente preocupante”, interpretado como um atentado contra a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.
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A convocatória enfatiza que a iniciativa não nasce de um partido político, mas da sociedade, e sustenta que a preocupação deve ser colectiva, independentemente de filiação partidária, ideologia ou preferências eleitorais. “Retirar esta questão do campo exclusivamente político e colocá-la no campo social” é, nas palavras do comunicado, um dos principais propósitos da acção.
No dia marcado, o movimento afirma que a paralisação visa evitar confrontos, sobretudo entre cidadãos e forças de segurança. O apelo é para que a resposta da população seja pacífica e se traduza em não participação em actividades não essenciais, mantendo-se as rotinas fundamentais para quem necessita de assistência.
O comunicado ressalta ainda que hospitais, serviços de emergência, bombeiros, segurança e demais serviços indispensáveis devem continuar a funcionar plenamente, sublinhando que a intenção não é prejudicar quem precisa de ajuda, mas sim transformar a permanência em casa numa mensagem nacional de consciência, preocupação e repúdio.
A nota defende que a Constituição de Angola reconhece direitos fundamentais como a liberdade de expressão e a participação dos cidadãos na vida pública, bem como o direito à manifestação pacífica. Nesse enquadramento, a sociedade civil afirma que a manifestação pretendida será feita “através do silêncio”, como forma de protesto e exigência de análise séria dos factos.
A convocatória também aponta para o futuro, ao destacar que as eleições gerais de 2027 se aproximam e que o modo como a situação é tratada no presente influenciará a confiança dos cidadãos no processo democrático.
O movimento afirma que uma sociedade democrática precisa de eleições livres, respeito pelos direitos humanos e tolerância política, reforçando o princípio de que nenhum cidadão deve ser tratado como inimigo por exercer direitos.
Em mensagem final, a sociedade civil resume a convocatória em tom firme:
“No dia 21 de Agosto, fique em casa. Não vamos à rua. Não queremos confronto. Queremos reflectir. Queremos repudiar pacificamente.”
Segundo o comunicado, o “silêncio” da população será apresentado como mensagem nacional, a reflexão como protesto e a cidadania como força para defender uma Angola em que a democracia seja “para todos”.
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