Polícia Nacional reprime militantes e impede acto político de massa da UNITA no Uíge

 


A Polícia Nacional, na província do Uíge, está a ser acusada de ter reprimido com gás lacrimogéneo e impedir a realização de um acto político de massa da UNITA, na cidade do Uíge.


A actividade, alusiva ao aniversário natalício do líder fundador do partido, Jonas Savimbi, estava prevista para este sábado, 8 de Agosto, defronte secretariado provincial da UNITA, visando o encerramento da conferência nacional da JURA, que reúne jovens provenientes de diferentes pontos do país, no âmbito das actividades do 3 de Agosto.

 

De acordo com o programa, a direcção da UNITA no Uíge comunicou às autoridades governamentais e à Polícia Nacional a realização este sábado, 8 de Agosto, o acto político.

 

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Segundo informações avançadas pelo maior partido na oposição, o Governo Provincial e a Polícia Nacional não autorizaram a realização da actividade nos locais inicialmente propostos pela organização.

 

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, encontra-se no Uíge desde sexta-feira, 7 de Agosto, onde manteve um encontro de cortesia com o governador provincial.

 

Na ocasião, o líder da UNITA terá igualmente informado a autoridade provincial sobre a realização da actividade política prevista para este sábado.

 

Perante a impossibilidade de utilizar os locais inicialmente propostos, a direcção provincial da UNITA decidiu realizar a actividade defronte do Secretariado Provincial do partido.

 

Contudo, na manhã deste sábado, efectivos da Polícia Nacional interditaram as principais vias de acesso à zona, colocando barreiras e encerrado estabelecimentos comerciais nas imediações, impedindo a circulação de pessoas e o acesso ao Secretariado Provincial da UNITA.

 

Em declarações à imprensa, o secretário da UNITA no Uíge, Damião Adolfo, afirmou que os partidos políticos não necessitam de uma autorização para a realização das suas actividades, defendendo que devem apenas comunicar previamente a intenção às autoridades competentes.

 

Segundo o dirigente partidário, a UNITA cumpriu os procedimentos que considera necessários, tendo comunicado às autoridades a realização do acto.

 

“As organizações partidárias não carecem de autorização para realizar as suas actividades", ressaltando que "apenas precisam dar a conhecer aos órgãos de direito da província".

 

Segundo o político, "a UNITA fez tudo em conformidade, mas encontramos estas barreiras”, lamentou Damião Adolfo.

 

O secretário provincial da UNITA criticou ainda a actuação das autoridades e alegou que a situação resultaria de alegadas orientações políticas do partido no poder, acusação que não foi, até ao momento, acompanhada de uma resposta oficial das autoridades mencionadas.

 

Apesar das restrições registadas no local, Damião Adolfo garantiu que a UNITA manteve a intenção de realizar o acto político defronte do seu Secretariado Provincial.

 

“Vamos realizar a actividade, sim, defronte do nosso Secretariado. Por isso, apelamos para que a Polícia retire as barreiras que colocou nas entradas de acesso ao Secretariado, permitindo que possamos realizar a actividade”, declarou.

 

O Club-K apurou que, para dispersar os militantes e demais apoiantes, que pretendiam acompanhar de perto do comício, a polícia lançou gás lacrimogéneo e correu com toda a população ao redor do Secretariado do "Galo Negro", incluindo o secretário Nacional da JURA e outros dirigentes da UNITA, que aguardavam pela presença de Adalberto Costa Júnior.

 

A situação registada na manhã deste sábado, 8, coloca em confronto a intenção da UNITA de realizar o acto político e as medidas adoptadas pelas autoridades locais para impedir a sua realização nos locais inicialmente previstos.

 

Até ao momento, não foi divulgada uma posição oficial do Governo Provincial do Uíge nem da Polícia Nacional sobre as razões concretas, que levaram à interdição das vias e à restrição do acesso ao local indicado pela UNITA.


Club-K 


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