Governo recorre a empresa israelita para formação em perfil falsos

 


Uma investigação do Citizen Lab, da Universidade de Toronto, aponta que uma empresa israelita especializada em operações de influência digital realizou, em 2026, um programa de formação dirigido a elementos da comunicação do Governo angolano, que terá incluído a criação e utilização de identidades falsas nas redes sociais.


Segundo a investigação, divulgada esta quinta-feira, a empresa BlackCore apresentou publicamente um programa denominado “Angolan Government Campaign”, destinado a melhorar as capacidades de comunicação e definição de narrativas do Estado angolano.

O documento indica que o programa teve início em 19 de Janeiro de 2026 e prolongou-se por mais de 14 semanas, até Abril, embora a proposta inicial previsse apenas quatro semanas de formação. Os investigadores dizem ter analisado um relatório final produzido pela própria BlackCore e materiais associados à operação.



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De acordo com o Citizen Lab, o programa incluiu formação em storytelling, redação, gestão de tráfego e operações em redes sociais, bem como a criaçã 17,o e acompanhamento de campanhas no Facebook, Instagram e TikTok. A proposta previa ainda o lançamento de campanhas designadas como “covert campaigns”.

A investigação identificou uma página denominada “Agita News”, apresentada como um órgão de informação, que terá sido utilizada para publicar conteúdos e encaminhar utilizadores para um sítio externo entretanto colocado offline. Os investigadores afirmam que a campanha incluía ainda a disseminação de conteúdos através de grupos e a medição das visualizações e níveis de interação.

Entre as identidades utilizadas na operação, o Citizen Lab identificou “Dorivaldo Kiala”, apresentado como activista político angolano, e “Gancho Atalaia”. Segundo a investigação, os dois perfis correspondiam a personas falsas e terão utilizado imagens de perfil aparentemente geradas por inteligência artificial.

O relatório, contudo, salienta que os investigadores não conseguiram identificar de forma conclusiva os funcionários angolanos que participaram na formação, nem os formadores da BlackCore. Também não conseguiram confirmar de forma independente que a formação ocorreu, embora considerem altamente provável que o programa tenha sido realizado, com base nos diversos materiais e activos digitais encontrados.

A investigação relaciona ainda o caso angolano com um relatório divulgado pela Meta em Agosto, no qual a empresa identificou uma rede de comportamento inautêntico coordenado originada em Israel e dirigida, entre outros países, a Angola. A Meta descreveu a rede como uma operação de influência contratada, com utilização de contas falsas e automatizadas para ampliar artificialmente determinados conteúdos.

O Citizen Lab afirma que o caso angolano constitui um exemplo da crescente utilização de empresas privadas para desenvolver operações de influência digital destinadas a governos e outros clientes. A investigação refere que a BlackCore promovia serviços destinados não apenas à divulgação de narrativas, mas também à sua amplificação coordenada e à perturbação de narrativas consideradas adversas.

Até à divulgação da investigação, os autores afirmam não ter conseguido obter um contacto recente da BlackCore para solicitar comentários sobre as conclusões do estudo. Os sítios e contas públicas associados à empresa foram entretanto removidos, segundo o relatório.


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