“OS 25 ANOS DE PERCURSO DA NEPAD À AUDA-NEPAD: REFLECTIR SOBRE O PASSADO, CONCRETIZAR O FUTURO”
El Alamein, República Árabe do Egipto, 3 de Outubro de 2026
Sua Excelência Évariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi e Presidente em Exercício da União Africana;
Sua Excelência Abdel Fattah El -Sisi, Presidente da República Árabe do Egipto e anfitrião da Cimeira dos Países Fundadores da NEPAD;
Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo dos Países Fundadores da NEPAD;
Sua Excelência Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana;
Excelentíssima Senhora Nardos Bekele-Thomas, Directora Executiva da AUDA - NEPAD;
Ilustres Convidadas e Convidados;
Minhas Senhoras, Meus Senhores;
Ao tomar a palavra nesta Cimeira, pela primeira vez na qualidade de Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD e por ocasião desta importante celebração que marca os vinte e cinco anos da criação da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África, permitam-me que expresse a nossa satisfação por integrar esta nobre iniciativa e por nos associarmos aos países cuja liderança e visão estiveram na génese da NEPAD, em 2001.
Manifesto, nesta oportunidade, o meu reconhecimento a Sua Excelência o Presidente Abdel Fattah Al-Sisi, ao Governo e ao povo egípcio, pela hospitalidade que brindaram a todos os Membros Fundadores da NEPAD, nesta bela cidade de Alamein.
A confiança que Vossas Excelências depositaram à República de Angola e em mim, para assumir desde Fevereiro deste ano a Presidência do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, sucedendo à notável liderança exercida ao longo dos últimos três anos por Sua Excelência o Presidente Abdel Fattah Al-Sisi e pela República Árabe do Egipto, constitui igualmente motivo de profundo orgulho e de responsabilidade acrescida.
Desde que assumimos esta tarefa, temo-la exercido com o firme sentido de compromisso e com a plena consciência do papel crucial que a Presidência do Comité de Orientação desempenha na liderança política e na orientação estratégica da AUDA-NEPAD.
Temos estado empenhados em trabalhar com os Chefes de Estado e de Governo, com a Comissão da União Africana e com a AUDA-NEPAD, para reforçar a Agência, aprofundar a apropriação africana da sua acção e assegurar que as ambições do continente africano se traduzam em resultados concretos que concorram positivamente para o desenvolvimento económico e social das nossas populações.
Excelências,
É sabido que a NEPAD nasceu da convicção de que África deve assumir maior responsabilidade na formulação da sua agenda de desenvolvimento e definir as suas próprias prioridades e vias de transformação.
Em 2001, no momento da criação da NEPAD, os cinco líderes africanos que estiveram na sua origem procuraram estabelecer um quadro africano comum capaz de acelerar o desenvolvimento, aprofundar a integração regional e construir uma nova relação com os parceiros internacionais de desenvolvimento, assente nas prioridades continentais e numa liderança genuinamente africanas.
Transcorreram vinte e cinco anos, sendo justo e oportuno reconhecer-se que muitos progressos foram alcançados, pois a NEPAD evoluiu de um quadro continental de desenvolvimento assumido apenas por alguns líderes africanos para a actual Agência de Desenvolvimento da União Africana, dotada de um mandato reforçado para apoiar os Estados-Membros e as Comunidades Económicas Regionais na concretização das aspirações da Agenda 2063.
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Temos que referir, com satisfação, que nestes últimos quatro anos a Agência expandiu significativamente a sua intervenção relativamente às principais prioridades continentais, ampliou a sua carteira de programas, reforçou o apoio prestado aos Estados-Membros, avançou na preparação de projectos e na mobilização de investimento, e consolidou parcerias estratégicas em áreas essenciais como as infra-estruturas, os sistemas alimentares, a saúde, o capital humano, a industrialização e a integração regional.
Trata-se de conquistas cujo mérito cabe em grande medida à Senhora Directora Executiva, quem nos vai apresentar com maior detalhe, incluindo os progressos alcançados e as prioridades que vão nortear a próxima fase da Agência.
Acredito, assim, que esta reunião se vai constituir num verdadeiro ponto de viragem para a Agência, devendo produzir recomendações e propostas concretas, orientadas para o reforço da AUDA-NEPAD, de modo a torná-la mais ágil e mais apta ao cumprimento da sua missão, dotando-a das ferramentas e da capacidade institucional indispensáveis à concretização dos seus objectivos para os próximos vinte e cinco anos.
Considero que as prioridades que definirmos para a Agência devem ser acompanhadas das condições que lhe permitam desempenhar plenamente as suas atribuições.
Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores.
O princípio baseado no facto de que África deve assumir a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento, que deu origem à NEPAD, permanece actual.
Esta responsabilidade deve igualmente reflectir-se na forma como apoiamos e financiamos a nossa própria instituição de desenvolvimento.
Foi em reconhecimento deste princípio e da necessidade de dotarmos a AUDA-NEPAD dos recursos indispensáveis ao cumprimento do seu mandato, que a República de Angola concedeu no ano passado, de forma voluntária, uma importante contribuição financeira.
Dirijo, por isso, um apelo particular a todos os Estados signatários da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África no sentido de concederem igualmente contribuições voluntárias à AUDA-NEPAD, no seguimento do espírito de compromisso que norteou há 25 anos os Membros Fundadores dessa poderosa instituição.
Um financiamento africano previsível constitui condição essencial para que a AUDA-NEPAD possa planear eficazmente, responder às prioridades dos Estados-Membros e conduzir os seus programas da fase de preparação à implementação à escala exigida pela Agenda 2063.
Devemos igualmente assegurar que a AUDA-NEPAD disponha da flexibilidade institucional necessária à produção de resultados concretos.
Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores
As realizações de cariz continental levadas a efeito pela República de Angola no último ano reforçaram a nossa confiança relativamente aos objectivos que se podem alcançar quando a liderança política e a capacidade técnica da AUDA-NEPAD se conjugam.
Trabalhamos em estreita coordenação com a Agência e com a Comissão da União Africana na organização e realização da Cimeira de Luanda sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África, que reuniu Governos africanos, instituições financeiras, investidores e o sector privado, em torno da necessidade de mobilizarmos recursos e acelerarmos projectos estratégicos de infra-estruturas capazes de reforçar a conectividade, o comércio e a integração regional.
Iniciativas como o Corredor do Lobito e outros corredores regionais estiveram no centro do nosso debate durante a Cimeira, por serem infra-estruturas de conectividade que já começam a dar um grande contributo à ligação de mercados em África, ao apoio aos sectores produtivos, ao reforço das cadeias de valor regionais e à criação de oportunidades de negócio além-fronteiras.
Estamos igualmente a trabalhar com a AUDA-NEPAD para estabelecer uma presença da Agência em Angola, como parte de um esforço orientado para a aproximação da instituição aos Estados Membros da Agência.
A presença crescente da Agência no nosso continente merece o nosso apoio, pois reduz a distância entre decisões continentais e a implementação nacional, e reforça a capacidade da AUDA-NEPAD para responder às prioridades específicas de cada um dos nossos países.
Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores.
Impõe-se que continuemos a reforçar a coerência da nossa arquitectura continental, devendo a Comissão da União Africana, a AUDA-NEPAD, as Comunidades Económicas Regionais e os Estados-Membros actuar de forma complementar e com um foco comum na concretização dos grandes objectivos de desenvolvimento do continente africano.
Auguramos que esta Cimeira não seja uma ocasião isolada mas o início de uma dinâmica regular de envolvimento, liderança e orientação estratégica que marcará o próximo capítulo da AUDA- NEPAD.
A mesma liderança que em 2001 se revelou indispensável à criação da NEPAD é hoje necessária para dotar a AUDA-NEPAD dos meios adequados para enfrentar os próximos vinte e cinco anos.
É minha espectativa de que este encontro de El Alamein fique marcado não apenas como um momento de celebração do caminho já percorrido, mas também e sobretudo como a ocasião em que reforçámos de forma significativa a apropriação africana, renovámos o nosso compromisso com a instituição e acordámos medidas concretas para dotar a AUDA-NEPAD dos meios necessários para cumprir plenamente com sua missão genuína.
Muito obrigado pela Vossa atenção!
ALOCUÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO, PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA E PRESIDENTE DO COMITÉ DE ORIENTAÇÃO DOS CHEFES DE ESTADO E DE GOVERNO DA AUDA-NEPAD, POR OCASIÃO DA SESSÃO DE ENCERRAMENTO DA CIMEIRA DOS MEMBROS FUNDADORES DA NEPAD
El Alamein, República Árabe do Egipto, 3 de Outubro de 2026
Sua Excelência Évariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi e Presidente em Exercício da União Africana;
Sua Excelência Abdel Fattah El -Sisi, Presidente da República Árabe do Egipto e anfitrião da Cimeira dos Países Fundadores da NEPAD;
Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo dos Países Fundadores da NEPAD;
Sua Excelência Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana;
Excelentíssima Senhora Nardos Bekele-Thomas, Diretora Executiva da AUDA - NEPAD;
Ilustres Convidadas e Convidados;
Minhas Senhoras, Meus Senhores;
Chegámos ao fim dos nossos trabalhos, depois de uma discussão particularmente importante e oportuna sobre os vinte e cinco anos de percurso da NEPAD e sobre o futuro da AUDA-NEPAD.
Os nossos debates permitiram-nos revisitar uma trajectória que marcou profundamente a evolução da agenda de desenvolvimento do nosso continente e, sobretudo, olhar para o futuro com sentido de responsabilidade e com a consciência clara dos desafios que temos pela frente.
As reflexões que partilhámos evidenciaram a dimensão desses desafios e confirmaram que, enquanto líderes africanos, temos perante a História uma responsabilidade que não podemos adiar.
Ouvimos a apresentação feita pela Directora Executiva sobre os progressos alcançados pela AUDA-NEPAD e sobre as reformas necessárias para torná-la mais capaz de cumprir a sua missão, bem como as nossas reflexões que sintetizaram a nossa experiência e visão, que continuam a constituir uma referência importante para o reposicionamento estratégico da Agência.
As nossas deliberações concluíram de forma inequívoca que o próximo capítulo da AUDA-NEPAD deve ser marcado por uma apropriação africana mais firme, por maior eficácia institucional e por uma cultura de execução orientada para resultados.
A tarefa que se impõe agora é a de transformar essa orientação em resultados tangíveis, que contribuam de forma objectiva para melhoria das condições de vida dos nossos cidadãos.
Para tal, o primeiro passo a dar consiste em assegurar que a AUDA-NEPAD disponha dos recursos, das capacidades técnicas e das condições institucionais necessárias para cumprir cabalmente o mandato que lhe foi confiado.
A apropriação africana deve, por isso, traduzir-se não apenas nas prioridades que definimos, mas também na nossa disponibilidade efectiva para apoiar as instituições responsáveis pela sua implementação.
É este compromisso traduzido em apoio político, técnico e financeiro que permitirá transformar decisões em resultados e garantir que a AUDA-NEPAD desempenhe o papel estratégico que lhe cabe, na arquitectura de desenvolvimento do continente.
O passo seguinte traz à evidência o facto de que devemos adequar o máximo possível os projectos a serem implementados à realidade dos Estados-Membros, pois a eficácia da acção continental mede-se, em última instância, pela sua capacidade de produzir resultados no terreno.
É ali junto das nossas populações que as políticas e estratégias continentais ganham expressão concreta, que os projectos são implementados, que os investimentos são realizados, que as infra-estruturas são construídas e que os cidadãos devem sentir os benefícios das decisões que tomamos a nível continental.
A AUDA-NEPAD deve ser capaz de aproximar cada vez mais as prioridades continentais às necessidades concretas dos Estados-Membros, estabelecendo uma ligação mais forte entre a visão continental e a implementação nacional.
O passo final e talvez o mais importante tem a ver com o facto de que os compromissos que resultarem desta Cimeira devem ser executados de forma efectiva.
Nenhuma declaração, por mais ambiciosa que seja, substitui o valor da implementação. A força das nossas decisões não estará apenas naquilo que decidirmos hoje, mas na capacidade que tivermos de assegurar que essas decisões sejam efectivamente cumpridas.
As deliberações desta Cimeira serão, por isso, avaliadas pela sua capacidade de reforçar a AUDA-NEPAD, melhorar a sua eficácia e produzir impactos concretos e mensuráveis.
O Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo deve continuar a assumir plenamente a sua responsabilidade de orientação política e supervisão estratégica, trabalhando de forma estreita com os Estados-Membros, com a Comissão da União Africana, com a AUDA-NEPAD e com as Comunidades Económicas Regionais, para assegurar que as orientações emanadas desta Cimeira sejam traduzidas em acções concretas com responsabilidades claras, acompanhamento regular e resultados verificáveis.
Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores
Os desafios que África enfrenta hoje são diferentes, em muitos aspectos, daqueles que estiveram na origem da NEPAD, mas a necessidade de liderança africana de determinação política e de capacidade de definir e executar as nossas próprias prioridades de desenvolvimento, continuarão sempre válidas.
Por isso espero que esta Cimeira marque o início de um envolvimento reforçado e regular por parte dos Membros Fundadores e dos demais Estados-Membros, consolidando a dinâmica colectiva necessária para levar adiante a visão que nos une.
Faço votos de que El Alamein se afirme como símbolo de um novo ciclo de ambição continental e que saiamos daqui com um compromisso firme e revitalizado em prol do fortalecimento da construção de uma África mais integrada, mais próspera e mais soberana.
Muito Obrigado pela Vossa atenção!
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