A petrolífera angolana Falcon Oil está à procura de compradores para a sua participação de 24% no Bloco 2/05, numa operação que poderá marcar uma mudança na estratégia da empresa, que pretende concentrar os seus recursos no Bloco 17/06 e em futuras licitações petrolíferas em Angola.
A informação é avançada pela Africa Monitor Intelligence (AMI), na edição de 8 de Outubro de 2026, que cita fontes do sector petrolífero. Segundo a publicação, a empresa procura alienar a participação no Bloco 2/05 para reforçar a sua posição financeira e concentrar os investimentos em activos considerados prioritários.
A participação da Falcon Oil no Bloco 2/05 foi reforçada com a aquisição de uma posição de 4% à ACREP, passando a empresa a deter 24% do activo. Em 2026, a petrolífera aumentou igualmente para 10% a sua participação no Bloco 17/06, após receber uma cessão de 5% da Sonangol E&P.
A intenção de vender a participação no Bloco 2/05 surge num contexto de diferenças entre a Falcon Oil e a Etu Energias, antiga Somoil, quanto à capacidade de financiamento e à dimensão dos investimentos. Enquanto a Etu Energias tem ampliado a carteira de activos através de aquisições e do recurso a financiamento nacional e internacional, a Falcon Oil procura concentrar-se em operações que permitam melhorar a sua solvabilidade.
Segundo a Africa Monitor Intelligence, a Falcon Oil enfrentou dificuldades financeiras que levaram à retirada das suas participações nos blocos 6/06, 18/06 e 15/06, entre 2014 e 2015, num contexto de dívidas superiores a 200 milhões de dólares. A publicação refere que a situação financeira da empresa condiciona a sua capacidade de expansão, apesar do renovado interesse de operadores internacionais nos activos petrolíferos angolanos.
A eventual venda da participação no Bloco 2/05 poderá permitir à Falcon Oil libertar recursos para os investimentos no Bloco 17/06 e para concorrer a novas concessões. A operação ocorre numa fase em que o sector petrolífero angolano procura atrair novos investimentos, num contexto de declínio tendencial da produção nacional e de maior interesse internacional pelos activos disponíveis.
Africa Monitor
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