Desde muito cedo, o lendário nacionalista Gaston Smart Chata envolveu-se, de corpo e alma, na luta pela independência de Angola. Foi um dos angolanos que, a partir da Zâmbia, sonhavam ver Angola livre do jugo colonial. Uma Angola independente. Uma Angola democrática.
Pessoalmente, conheci-o na Jamba. Vivia no Comité Gamboa. Era político e diplomata. Disciplinado e organizado. Desde a fundação da UNITA, exerceu cargos de alta responsabilidade, com destaque para o de primeiro Vice-Presidente da UNITA, em 1966.
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Na Jamba, à época, era Secretário para a Mobilização. Também já tinha passado pela Organização. Não faltava à Chama do Guerrilheiro. Era um homem muito dinâmico. Usava parábolas no seu discurso. Falava inglês como poucos. Era poliglota.
Em 1988, fez parte da comitiva chefiada pelo Dr. Savimbi na visita aos Estados Unidos da América. A viagem foi um sucesso diplomático. As relações com a Administração Reagan estavam no auge. Tinham prometido mais mísseis antiaéreos, armas antitanque e diverso material essencial para a guerrilha, que se tinha transformado numa força que movimentava Unidades Regulares e Semirregulares, com viaturas de apoio e artilharia pesada. As FALA tinham crescido bastante. Eram já um exército. É por isso que o seu Alto-Comandante, Jonas Malheiro Savimbi, passou, nesse mesmo ano de 1988, a General de Exército.
Como a viagem produziu efeitos satisfatórios, no regresso à Jamba, o Dr. Savimbi, ao dirigir-se à população para dar o "mujimbu", isto é, o relatório da viagem, fez questão de dar a palavra a todos os membros da comitiva, para que cada um testemunhasse o que viu com os próprios olhos e o partilhasse com a população, que, ansiosa, se fez presente em massa na Parada Central do Batalhão de Instrução, B.I.
Assim que o General Chata se dirigiu aos microfones, notou que a juventude não estava a corresponder como ele desejava. Parecia uma juventude fraca, sem energia. Valendo-se da sua experiência como grande mobilizador, começou com um enérgico e cativante "ye-ye-ye!" e, de seguida, questionou:
"Juventude, a agitação está fraca, porquê? Nós fomos bem recebidos nos Estados Unidos da América, e vocês aqui estão com a moral baixa, porquê?... Porquê?... Porquê?"
Lamentava o General! Notava-se a emoção nas suas palavras e no timbre da voz. Foi um momento comovente, correspondido por salvas de palmas dos presentes. Foi bastante ovacionado naquele dia.
Mesmo no Huambo, em 1993, depois dos 55 dias, continuava muito dinâmico. Trabalhava no Secretariado-Geral do Partido. O meu amigo e companheiro da revolução, Zinho Liahuka, que trabalhava com o kota Kassanje, nos tempos em que este era Director do Gabinete do Ministro da Coordenação Política e Administrativa, Lukamba Gato, falava-me com frequência do mais velho Chata.
Um dia, disse-me: "O tio Chata está sempre bem vestido, usa fato e gravata."
A última vez que vi o respeitável General Chata foi em 1997, em Abidjan, Costa do Marfim. Estava em tratamento por lá. Lembro-me de que, no dia 11 de Novembro desse mesmo ano, numa altura em que o representante era o diplomata David Kokelo, a responsabilidade pelo discurso do Dia da Independência coube ao digníssimo General Chata.
Falou do processo que levou à Independência. Dos movimentos de libertação. Da razão da criação da UNITA, do papel que a República da Zâmbia de Kenneth Kaunda desempenhou e também da entrada dos cubanos e dos sul-africanos em Angola. Foi muito pedagógico. Sabia que tinha de ser meticuloso, porque falava para os estudantes bolseiros e para os funcionários da representação.
Nesse jantar comemorativo, não me recordo de ter visto o Major Celino, responsável pelas Telecomunicações. O kota Vadinho Chivemba, o Pedrito Gamba e eu presenciámos tudo. Do princípio ao fim. Dançámos as músicas de Don Kikas. As que estavam na moda, como "Saquirima"... Lá mesmo na terra, agora sem guerra...
Quando regressei ao Andulo, tempos depois, já nas matas de Muangai, na província do Moxico, soube que o General Chata tinha falecido. Fiquei triste. Muito triste. Porque, quando me despedi dele em Abidjan, parecia estar bem. Ele próprio disse-me: "Maninho, ame ndopo ndi twikila" (Dentro em breve, regresso).
Fiquei a imaginar o discurso dele no B.I., quando, de forma enérgica, chamou a atenção dos jovens para o fervor revolucionário. Também me veio à mente a imagem dele a explicar aos bolseiros por que aconteceu a Independência de Angola, como se desenrolou o processo e quem foram os seus principais protagonistas.
São estas imagens que guardo do General Chata: a do mobilizador incansável, capaz de contagiar a juventude com a sua palavra, e a do nacionalista convicto que, mesmo doente e distante da terra, continuava a falar de Angola, da sua história e da luta pela Independência.
O meu maior respeito ao nacionalista, patriota e revolucionário Gaston Smart Chata.
Voltarei...
Luanda, 29 de Setembro de 2026.
Demetrio Kokelu Tulumba
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