Presidente do Partido Liberal reage à proposta da “Conta Jovem Soberana”, apresentada pelo líder da UNITA, e defende a criação de um Fundo Soberano Intergeracional para transformar as receitas petrolíferas em oportunidades económicas duradouras para a juventude angolana.
O presidente do Partido Liberal, Luís de Castro, reagiu à proposta do líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, sobre a criação de uma “Conta Jovem Soberana”, defendendo que as receitas provenientes da exploração petrolífera devem ser utilizadas para promover a independência económica dos jovens angolanos, em vez de alimentar uma relação de dependência financeira em relação ao Estado.
Numa posição que abre espaço a um debate sobre a distribuição da riqueza nacional e o futuro económico da juventude, Luís de Castro considera que Angola precisa de adoptar políticas estruturais capazes de transformar os recursos naturais em oportunidades permanentes de desenvolvimento.
“O petróleo não deve servir para comprar a juventude. Deve servir para libertá-la da dependência do Estado”, afirmou o líder liberal, em resposta à iniciativa apresentada por Adalberto Costa Júnior.
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Para Luís de Castro, o verdadeiro desafio não consiste apenas em distribuir parte das receitas provenientes dos recursos naturais, mas em criar mecanismos que permitam aos jovens construir o seu próprio futuro através do trabalho, do empreendedorismo e da iniciativa privada.
“O papel do Estado não é criar jovens dependentes de subsídios, mas criar condições para que sejam economicamente autónomos, produtivos e donos do seu próprio futuro”, defendeu.
Luís de Castro propõe Fundo Soberano Intergeracional
Na sua abordagem, o presidente do Partido Liberal questiona como Angola poderá transformar o petróleo, um recurso natural finito, num instrumento de criação de riqueza permanente para as novas gerações.
O político entende que, em vez de simplesmente depositar recursos financeiros em contas individuais, o país deveria apostar na constituição de um Fundo Soberano Intergeracional, sujeito a regras rigorosas de funcionamento, fiscalização independente e transparência pública.
Segundo a proposta defendida por Luís de Castro, os rendimentos gerados pelo fundo poderiam financiar oportunidades de formação, empreendedorismo e desenvolvimento económico, preservando simultaneamente o património destinado às gerações futuras.
A posição do líder liberal coloca no centro do debate a sustentabilidade das políticas públicas destinadas à juventude e a necessidade de reduzir a dependência da economia angolana em relação às receitas petrolíferas.
Adalberto Costa Júnior quer destinar parte das receitas petrolíferas aos jovens
A reacção de Luís de Castro surge na sequência da proposta apresentada pelo presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, que defende a criação, por lei, de uma “Conta Jovem Soberana” destinada aos cidadãos angolanos com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos.
A iniciativa prevê que uma percentagem fixa das receitas provenientes do petróleo, gás e minerais estratégicos seja anualmente canalizada para um fundo destinado ao desenvolvimento da juventude.
Entre os exemplos apresentados pelo líder da UNITA encontra-se a possibilidade de reservar 10% das receitas petrolíferas para financiar o mecanismo.
De acordo com Adalberto Costa Júnior, os recursos não seriam entregues directamente em dinheiro aos beneficiários, mas utilizados para financiar projectos de desenvolvimento pessoal e económico.
Os jovens poderiam recorrer à conta para custear formação académica e profissional, iniciar pequenos negócios, desenvolver cooperativas agrícolas, apoiar a aquisição de habitação e financiar determinadas despesas de saúde e educação.
O líder da UNITA defende igualmente que o fundo seja administrado por uma entidade independente, com participação de representantes da sociedade civil, universidades, igrejas, sindicatos e organizações juvenis.
A proposta contempla ainda mecanismos de auditoria internacional e divulgação pública das contas, com o objectivo de garantir transparência na utilização dos recursos.
Formação profissional e crédito sem juros fazem parte da proposta da UNITA
Além da “Conta Jovem Soberana”, Adalberto Costa Júnior propõe a criação de uma Bolsa Técnica Nacional, destinada à formação de jovens em sectores considerados estratégicos para a diversificação económica de Angola.
Entre as áreas prioritárias encontram-se tecnologias de informação, agricultura, energias renováveis, construção civil, saúde, logística e turismo.
Outra medida apresentada pelo líder da UNITA é o denominado “Crédito Zero Jovem”, um mecanismo de financiamento que permitiria aos jovens obter microcrédito sem juros, com um período de carência de dois anos.
O acesso ao financiamento dependeria da apresentação de projectos avaliados por técnicos independentes, estando prevista a utilização do fundo como garantia junto das instituições bancárias.
Debate coloca em confronto duas visões sobre o futuro da juventude
Embora as duas propostas defendam a utilização das receitas provenientes dos recursos naturais para beneficiar os jovens angolanos, apresentam diferenças quanto à forma de financiamento e aplicação desses recursos.
Enquanto Adalberto Costa Júnior propõe a criação de contas individuais de desenvolvimento, apoiadas por formação profissional e crédito sem juros, Luís de Castro defende um fundo de investimento intergeracional, cujos rendimentos seriam utilizados para financiar oportunidades económicas sem comprometer o capital destinado às gerações futuras.
A proposta do presidente da UNITA foi igualmente noticiada nesta quinta-feira, 8 de Outubro, pelo Novo Jornal e por outros órgãos de comunicação angolanos.
O debate levanta questões sobre a capacidade de financiamento dos mecanismos propostos, os critérios de acesso dos beneficiários, a fiscalização dos recursos e a sustentabilidade das iniciativas perante as oscilações do preço do petróleo.
Com as eleições gerais de 2027 no horizonte, as posições dos dois dirigentes acrescentam ao debate político nacional diferentes perspectivas sobre o papel do Estado na promoção do emprego, do empreendedorismo e da autonomia financeira da juventude.
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