Partidos da oposição e organizações da sociedade civil angolana anunciaram a intenção de reforçar, nas eleições gerais de 2027, mecanismos de fiscalização popular do processo eleitoral, incluindo uma reformulação do movimento “Votou, Sentou”. Entre as propostas discutidas está também a realização de sondagens à boca das urnas, observadas as regras eleitorais aplicáveis.
A posição foi apresentada durante a Conferência Nacional sobre o Processo Eleitoral, promovida pelo Bloco Democrático, Partido Pacífico e PNSA, num encontro dedicado à discussão das condições de organização, fiscalização e transparência das próximas eleições gerais em Angola.
Segundo os participantes, o movimento “Votou, Sentou”, conhecido pela mobilização registada durante as eleições gerais de 2022, deverá ser reformulado e fortalecido para 2027. A iniciativa defende que os cidadãos acompanhem de forma pacífica e dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral os procedimentos posteriores à votação, nomeadamente a contagem e a divulgação dos resultados nas assembleias de voto.
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Em 2022, o “Votou, Sentou” ganhou visibilidade como uma iniciativa de fiscalização eleitoral apoiada por setores da sociedade civil e da oposição. Na altura, a proposta era incentivar os eleitores a acompanharem o processo eleitoral depois de exercerem o direito de voto. A Comissão Nacional Eleitoral, por sua vez, desaconselhou a permanência de eleitores nas imediações das assembleias, argumentando que a concentração poderia gerar situações de tensão. (Deutsche Welle)
Sondagens à boca das urnas entram no debate
Outro ponto levantado para 2027 é a utilização de sondagens à boca das urnas, mecanismo pelo qual eleitores são convidados, voluntariamente, a indicar em quem votaram depois de deixarem o local de votação. A proposta é apresentada pelos seus defensores como instrumento adicional de acompanhamento independente das tendências eleitorais.
A eventual realização e divulgação dessas sondagens, contudo, dependerá do enquadramento jurídico em vigor durante as eleições de 2027. Nas eleições anteriores, a realização e publicação de sondagens eleitorais em Angola esteve sujeita a restrições e regras específicas. (Observador)
Os participantes da conferência defenderam ainda maior participação dos cidadãos na fiscalização das mesas e assembleias de voto, acesso às atas e acompanhamento dos procedimentos de apuramento.
Para os partidos e organizações presentes, essas medidas fazem parte de uma estratégia destinada a aumentar a fiscalização e a confiança no processo eleitoral. A referência à alternância política em 2027 corresponde ao objetivo político manifestado pelos grupos envolvidos na iniciativa e não constitui uma previsão sobre o resultado das eleições.
Com a aproximação de 2027, o processo eleitoral deverá continuar no centro do debate político angolano, particularmente em torno das garantias de transparência, fiscalização, participação dos cidadãos e cumprimento da legislação eleitoral.



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