Condomínio atribuído a Luís Nunes suscita dúvidas



 A construção de um condomínio de luxo na Baía Azul, província de Benguela, atribuída ao antigo governador provincial Luís Nunes, está a suscitar interrogações entre sectores da sociedade civil local, sobretudo quanto à origem do financiamento do empreendimento.


As preocupações surgem num contexto em que decorrem na província várias obras públicas adjudicadas à empresa Omatapalo, por valores que, segundo informações divulgadas, ultrapassam mil milhões de dólares, embora o ritmo de execução de algumas empreitadas tenha abrandado significativamente ou registado paralisações.

 

Entre as obras referidas estão a reabilitação do Cine Monumental, em Benguela, do Cine Flamingo, no Lobito, a extensão da marginal da Praia Morena e a construção de diques de protecção contra as cheias do rio Cavaco, além de intervenções em várias vias rodoviárias da região.

 


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A execução de algumas destas empreitadas tem sido alvo de críticas, incluindo relativamente aos trabalhos nos diques do rio Cavaco, cuja qualidade terá sido questionada pelo chefe da Casa Militar do Presidente da República, segundo informações divulgadas sobre o assunto.

 

As inquietações estendem-se à transparência dos contratos, aos pagamentos efectuados à Omatapalo e aos mecanismos de fiscalização das obras públicas. Não foram, contudo, apresentados dados documentais que permitam determinar os montantes já pagos ou estabelecer uma relação entre os contratos públicos e o financiamento do condomínio.

 

A alegada proximidade de Luís Nunes ao Presidente da República, João Lourenço, é também apontada por críticos como um factor que justificaria maior escrutínio público sobre a execução das empreitadas e a evolução do património atribuído ao antigo governante.


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