O confinamento para conter a Covid-19 tem trazido dificuldades para muitas famílias, em várias partes de Luanda. Como consequência do desemprego e da fome, jovens do bairro Mulenvos, no município do Cazenga, têm sido obrigados a caçar gatos para servir de alimento ou acompanhante de uma determinada refeição.
Na manhã desta terça-feira, numa ronda efectuada pela equipa de reportagem do Correio da Kianda, os jovens da localidade contaram a este jornal que os gatos do bairro têm sido caçados, quase todos os dias, tanto por homens como por mulheres, para servir de alimento por não terem as vezes nada em casa para comer.
São muitas as pessoas, que por não poderem trabalhar, têm estado a enfrentar dificuldades alimentares. E, na procura de uma solução, as alternativas, têm sido as vezes os biscates, que nem sempre aparecem.
Francisca Cangome, mãe de quatro filhos, é uma das moradoras do bairro que contou, em entrevista, que depois de ter visto suspenso o seu contrato de trabalho e simultaneamente do seu marido por força da pandemia, viu-se obrigada a fazer pequenos negócios, mas revela que o negócio feito a porta de casa, nem sempre consegue-se o suficiente, para comer as três refeições do dia.
Acrescenta que o que antes via como anormal por parte de alguns jovens do bairro, hoje, o anormal para ela, tornou-se em normal: Comer gato, já é um facto na sua família.
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“Desde que nos desempregaram que tudo que dizíamos que nunca iriamos comer, hoje estamos a comer. Aqui em casa também já estamos a comer gatos, e as vezes os meus filhos mesmo é que se juntam com os jovens do bairro daqui do Mulenvos para irem caçar”, contou.
“É a fome e as vezes só temos o funge e molho de tomate. Se aparecer um gato no nosso teto vamos caçá-lo até lhe apanhar para servir de acompanhante”, rematou.
Grelhar a carne do animal doméstico é o mais preferido, segundo eles. Os jovens explicam que o sabor da carne de gato assemelha-se a de coelho, e por não fazer mal, pode-se comer a vontade.
“Não tem diferença com a carne de coelho e se o senhor jornalista provar a carne de gato vai sentir que é como a do coelho, não tem diferença”, revelam.
Para entender as razões do que leva alguns populares do bairro do Mulenvos a comer gato, o Correio da Kianda conversou com o sociólogo e também professor universitário Jorge Baptista, que, no seu entender, associa a prática a influência oriental.
Correio da Kianda
Assista os o vídeo dos moradores do Mulenvos comendo Gato, clicando AQUI
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