Quando fiz uma pergunta na rede social Facebook sobre quem era Joana Tomás, a jornalista que será a candidata à presidência da OMA, braço feminino do MPLA, alguém respondeu que ela era filha de um pastor metodista da Missão do Quéssua. Será que para as novas gerações, cuja religião está muito ligada às televisões, ser filha de um pastor de uma Missão Protestante leva tanto peso como no passado?
Sou filho da Missão do Dôndi. No início do século XX, missio- nários norte-americanos e canadianos chegaram à aldeia de Manico, na comuna do Chiumbo, e conseguiram converter Njamba, que foi viver do outro lado do rio, deixando o seu irmão em Manico, um grande quimbanda e polígamo que não queria nada com a religião dos brancos.
Vários jovens de Manico foram, então, para a Missão do Dôndi. Um jovem, Tavares Hungulu Jamba, o meu pai, provou ser aca- demicamente muito hábil. O jovem Tavares foi um grande organista e cantor. Além disso, ninguém lhe batia na máquina dactilográfica, ele ganhava todos os concursos de dactilografia na então Bela Vista.
O Professor Tavares tratava a máquina de escrever, Remington, por tu! O meu pai veio a ser director da escola do Dôndi e em 1952, com o apoio da igreja, ele chegou a fundar a sua própria escola e o centro evangélico de Katchilengue, onde nasci.
Eu cresci fora de Angola e deixei de ver o meu pai em 1976 quando tinha dez anos. Só agora, viajando pelas nossas áreas, é que estou a perceber a importância de ter sido filho de pastor ou professor da missão. Em conversa com os mais velhos, soube que o Quéssua e os metodistas tinham ligações muito fortes ao Dôndi. Soube que o bispo Emílio de Carvalho já ensinou no semi- nário do Dôndi, também soube que a família do banqueiro Generoso de Almeida tinha passado algum tempo no Dondi, quando o seu pai, o grande pastor Gaspar de Almeida esteve lá.
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Os filhos do Dôndi têm um imenso orgulho de terem nascidos nesta missão. Conheço três filhos desta missão que já escreveram obras sobre o mesmo. Os próprios missionários americanos e ca- nadianos, que eram altamente instruídos, também escreveram várias obras sobre a implantação do Protestantismo no Planalto Central. Muitas figuras notáveis em vários sectores nacionais em Angola têm ligações com o Dôndi.
Logo que pude, fui logo ao Quéssua. Eu queria muito saber sobre esta missão que também tinha produzido muitas famílias eminentes do país. O Dôndi é uma vastíssima localidade cheia de ruínas, só agora é que os edifícios estão a ser reconstruídos, in- felizmente nem sempre respeitando aquela arquitectura original eloquente e sem uma conotação exagerada. No Quéssua, fui re- cebido pelo pastor Dias Sapalo — um poliglota altamente culto. Fiquei altamente impressionado pelo o seu conhecimento da História do Metodismo em Angola. Passamos pela a casa da família Webber, da família do Vice-Presidente, Bornito de Sousa. Mostra- ram-me o edifício onde o pai do Presidente João Lourenço foi professor. Penso que me mostraram também um edifício onde o pai do Presidente Agostinho Neto trabalhou.
No Quéssua, o espírito do bispo Taylor, de que o cristão tinha que ter a habilidade de se autosustentar, estava bem patente. Como na missão do Dôndi, havia muitas necessidades para se ressuscitar a glória do passado da Missão do Quéssua. A igreja estava a precisar de um reparo: via-se o sol através do tecto. A bi- blioteca no Seminário não tinha livros. O reverendo Sapalo e a sua esposa, me apercebi, estavam a fazer tudo para manter a missão em bom estado mas parecia não haver aquele apoio que o Dôndi têm tido dos seus filhos.
Um empresário que nasceu no Dôndi uma vez foi à maternidade do famoso hospital e ofertou camas. Recentemente, na Missão do Dôndi, ao lado da igreja onde os meus pais se casaram em 1945, notei que se construiu uma nova escola: salas de tal qualidade que não estariam fora do lugar nos Estados Unidos! Porque razão é que os filhos do Quéssua, muitos bem sucedidos, não fazem a mesma coisa?
Almocei na casa do pastor Sapalo. A sua esposa, Suzana, que também é directora do seminário, estava altamente ocupada com as provas dos alunos. Via-se que o programa da formação dos pastores era rigoroso — mas faltava muita ajuda. Senti-me mal porque a igreja Metodista em Luanda tem sido muito simpática paramuitosfilhosdaIECA.Quandoenterramos,umairmãminha no Alto das Cruzes, em momento de muita dor, um pastor da igreja Metodista presidiu a cerimónia. O meu irmão mais novo casou na igreja Metodista por trás do hotel Trópico.
A restauração completa de uma missão como o Quéssua poderá resultar em peregrinações turísticas que poderão, também, resultar numa análise profunda do legado destas instituições. Só passaremos a saber exactamente a importância de um pastor da Metodista ou da IECA se fazermos tudo para reconstruir a nossa grande herança Protestante...
Sousa Jamba
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