Papa admite resistência cultural em África a bênção de casais homossexuais



O Papa Francisco admite que há uma resistência particular em África à bênção de casais do mesmo sexo, por questões culturais, mas diz confiar que, "pouco a pouco", todos se apercebam da importância da inclusão e não haja um cisma.


Numa entrevista ao jornal italiano La Stampa, hoje publicada, quando questionado sobre se a abertura da Igreja a todos é o grande desafio do seu pontificado, depois de ter declarado no verão passado em Lisboa, por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude, que a Igreja é para "todos, todos, todos", o Papa assumiu que essa é "a chave para compreender Jesus", pois "Cristo chama toda a gente", mas admitiu que tem sido confrontado com muitas questões "nos últimos tempos".

Recorrendo a uma parábola da bíblia, a de um banquete de casamento a que ninguém comparece, o que leva o rei a enviar servos a chamar todos os que encontrarem para as bodas, o Papa Francisco apontou que "o Filho de Deus quer deixar claro que não quer um grupo seleto, uma elite", e, "depois, talvez alguém seja 'introduzido clandestinamente', mas nessa altura é Deus que se encarrega disso, que indica o caminho".



Fisioterapia ao domicílio com a doctora Odeth Muenho, liga agora e faça o seu agendamento, 923593879 ou 923328762


"Quando me perguntam: 'Mas essas pessoas que estão numa situação moral tão imprópria também podem entrar?', eu asseguro-lhes: 'Todos, o Senhor assim o disse'. Perguntas como esta surgem-me sobretudo nos últimos tempos, depois de algumas das minhas decisões", declarou.

Questionado em concreto sobre a bênção de "casais irregulares e do mesmo sexo", que sugeriu no ano passado, o Papa Francisco confirmou que lhe perguntam "como é possível", ao que responde que "o Evangelho é para santificar toda a gente, desde que haja, claro, boa vontade", sublinhando que "não se abençoa a união, mas as pessoas".

Ao ser questionado sobre como está a lidar com a resistência de parte da Igreja à sua sugestão, depois de ter falado, numa recente entrevista televisiva em Itália, do "preço da solidão que se tem de pagar depois de um passo como este", o Papa Francisco apontou então o caso particular de África.

"Os que protestam com veemência pertencem a pequenos grupos ideológicos. Um exemplo disso são os africanos: para eles, a homossexualidade é algo 'feio' do ponto de vista cultural, não a toleram", declarou.

"Mas, de um modo geral, confio que, a pouco e pouco, todos se vão apercebendo do espírito da declaração "Fiducia supplicans" do Dicastério para a Doutrina da Fé: quer incluir, não dividir. Convida as pessoas a acolher e depois a confiar-se a Deus", completou.


Questionado sobre se receia um cisma, o Papa Francisco respondeu que não, observando que "sempre houve na Igreja pequenos grupos que manifestaram pensamentos cismáticos", mas há que "olhar em frente".

No ano passado, o Papa Francisco sugeriu que poderia haver formas de abençoar as uniões entre pessoas do mesmo sexo, respondendo a cinco cardeais conservadores que o desafiaram a afirmar os ensinamentos da Igreja sobre a homossexualidade, o que suscitou controvérsia nos setores mais conservadores da Igreja.

Entre aqueles que manifestaram perplexidade com as bênçãos a "casais irregulares", contam-se os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que determinaram mesmo que estas não sejam realizadas nestes dois países porque "criariam um enorme escândalo e confusão entre os fiéis".

"A respeito das bênçãos informais a 'casais irregulares', embora seja um sacramento diverso da bênção litúrgica, consideramos que, no nosso contexto cultural e eclesial, criariam um enorme escândalo e confusão entre os fiéis, pelo que determinamos que não sejam realizadas em Angola e São Tomé", referiram num comunicado.

O comunicado da CEAST reagiu assim à recente sugestão do Papa Francisco de se de dar a bênção a casais do mesmo sexo, sem transmitir "a conceção errada do casamento", afirmando ainda que os padres não se podem tornar juízes.


Segundo a CEAST, a sua posição tem como suporte a declaração 'Fiducia Supplicans', que consideram suficiente para orientar o discernimento prudente e paterno dos ministros ordenados" no que respeita às bênçãos dos casais do mesmo sexo, argumentando ainda que "o documento não impõe qualquer linha uniforme".


Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação 

Postar um comentário

0 Comentários