Metade dos jovens que são consultados semanalmente no Hospital Geral de Viana sofrem de impotência sexual



O chefe da área de Urologia do Hospital Geral de Viana bispo Emílio de Carvalho, Antonino Balaca, explicou que, dos cerca de 40 a 50 pacientes que o serviço de Urologia recebe semanalmente, 20 têm algum tipo de disfunção sexual, o que é muito preocupante.



Antonino Balaca informou que os pacientes são encaminhados para uma sub-especialidade da Urologia, denominada "Andrologia”, que trata especificamente de pacientes com algum tipo de disfunção sexual. 

Segundo o urologista, a problemática da disfunção sexual, vulgarmente chamada de "impotência sexual”, já é um sério problema de saúde pública, porque as estatísticas de Angola contrariam muito as mundiais.

"Estamos a receber pacientes muito jovens, numa faixa etária baixíssima, dos 20 ou 30 anos, com problemas sexuais graves, o que não acontece em outras realidades, onde a disfunção sexual tem como principal causa a idade avançada”, esclareceu.  


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Definição da doença

O médico Antonino Balaca explicou que a disfunção sexual, como tal, não é considerada uma doença, mas uma síndrome ou um distúrbio que pode interferir negativamente no desempenho sexual.  

O urologista define-a como a situação em que o indivíduo(homem) não consegue concretizar uma relação sexual ou em que esta é insatisfatória para si ou para a companheira.

Segundo o especialista, a disfunção sexual, de forma geral, é tratável, desde que seja descoberta a causa e, em seguida, tratada. Daí que, acrescentou, os urologistas não usam o termo "impotência sexual”, porque esta não define a causa como tal, pois existem várias causas que podem ser corrigidas.

Entre as causas ou distúrbios estão a falta de desejo sexual, dificuldade de erecção (incapacidade de obter ou manter uma erecção), disfunção ejaculatória (ejaculação precoce ou retardada), disfunção da excitação (incapacidade de ficar fisicamente excitado ou estimulado durante a actividade sexual), disfunção orgâsmica (incapacidade de ter orgasmos), disfunção da emissão e dispareunia (dor durante a penetração ou depois de ejacular).

Embora a dispareunia seja mais comum nas mulheres, disse, pode afectar os homens, caso estejam acometidos por uma prostatite (inflamação da próstata), infecções urinárias ou problemas de pele no pénis.

Mas, adverte, a disfunção sexual não se resume apenas à falta de erecção ou aos demais distúrbios mencionados. Inclui, também, aqueles que têm um desejo sexual excessivo ou fazem sexo de forma exagerada.

"Existem homens que têm uma doença chamada priapismo (erecção prolongada mesmo sem desejo sexual), isso também é uma disfunção. Todos estes distúrbios são tratados de forma multidisciplinar, envolvendo endocrinologistas, cardiologistas, psicólogos e, por vezes, psiquiatras, mas o primeiro caminho tem de ser a Urologia”, aconselhou.

O médico acrescentou que muitos destes distúrbios sexuais dependem da faixa etária do indivíduo, podendo estar associados ao mal-estar e interferir com diversos aspectos da vida pessoal, familiar e até profissional.

Nos jovens, por exemplo, sublinhou, são mais frequentes as disfunções ejaculatórias (geralmente precoce), enquanto, nas idades mais avançadas, a mais comum é a disfunção erétil, seguida pela falta de desejo sexual, mas, em regra, esta última é causada por factores hormonais.

O médico explicou que, ao contrário das mulheres, o homem, à medida que envelhece, não entra na menopausa ou andropausa, como dizem. "Existe uma síndrome androgénica do envelhecimento masculino, que tem como causa a baixa produção de testosterona que, em regra, ocorre a partir dos 40 anos”, esclareceu.

Antonino Balaca acrescentou que existem excepções, pois, frisou, nem todos os homens vão ter esta síndrome, e um dos sintomas principais é a falta de líbido sexual (desejo).

Por exemplo, sublinhou, um homem que tem disfunção ejaculatória, de tantas tentativas mal sucedidas, começa a entrar em depressão, o que depois pode causar disfunção erétil e, por fim, a falta de desejo sexual.

 Erecção é o que mais preocupa os homens

O especialista em Urologia informou que a síndrome sexual que mais preocupa os homens e os leva a procurar ajuda médica sozinhos, sem a pressão das mulheres, é a disfunção erétil. "O homem pode suportar várias calamidades, mas o problema da erecção é o que lhe tira o sono. É um problema grave, porque isso determina a sua masculinidade”, disse.

Antonino Balaca explicou que os pacientes nessa condição, ao chegarem à consulta externa, são submetidos a um teste com recurso a um aparelho chamado Scanzer, que serve para medir o grau de erecção. O aparelho determina a erecção normal que o homem deve ter.

O procedimento é efectuado com a utilização de fármacos como a anfitalomina ou outros que ajudam o especialista a avaliar a rigidez que o paciente pode conseguir durante um determinado tempo. Mas, disse, na vida real, depende muito da satisfação sexual entre os parceiros.

Segundo o urologista, fisiologicamente, o homem pode ter várias erecções por dia, porque depende muito da testosterona (que é um hormónio influenciador nas características sexuais masculinas, com realce para a função erétil e a produção de esperma).

Antonino Balaca informou que, em regra, os homens têm pico de testosterona às 10 horas e outro às 16. À madrugada, têm outro pico e, pela manhã, também, fazendo sexo ou não. "Quando assim não acontece, é um claro sinal de distúrbio na erecção”, esclareceu.

 Testículos pequenos produzem menos testosterona

Questionado sobre se o distúrbio de erecção pode ser hereditário, o médico Antonino Balaca respondeu negativamente, mas esclareceu que existem algumas doenças que afectam a produção da testosterona, como o hipogonadismo (testículos pequenos, que produzem menos testosterona).

"Logo, se tiver redução na produção da testosterona, logicamente que, na sexualidade, estará comprometido, principalmente, no que toca à falta de desejo sexual, porque 90 por cento da testosterona é produzida nos testículos”.

O homem com este problema, acrescentou, não precisa de entrar em depressão, há tratamentos para isso.

Na questão do hipogonadismo, prosseguiu, o urologista tem a liberdade de fazer a reposição hormonal da testosterona e o homem voltará a funcionar com normalidade.

Mulheres sofrem por causa da insatisfação sexual

Em relação às demais síndromes sexuais, o médico urologista disse que, na maioria das vezes, são as parceiras que incentivam os homens a procurarem ajuda médica, principalmente, se estiver relacionado com a ejaculação precoce.

"A maior parte dos homens é egoísta. Depois de ejacularem, se sentem satisfeitos e não prestam mais atenção às necessidades da parceria. Estes homens não imaginam o que se passa na mente e no corpo das mulheres, quando não são satisfeitas sexualmente”, alertou.

Segundo o urologista, muitas mulheres sofrem internamente porque lutam com os seus desejos insatisfeitos pelo parceiro. "As mulheres não atingem o orgasmo só porque o homem ejaculou. Por isso, os homens devem estar bem atentos nisso”, sublinhou.

De acordo com o especialista, ao contrário do homem que apenas tem uma zona erógena, que é o pénis, as mulheres têm 15, que devem ser tocadas e acariciadas para ela se sentir plenamente satisfeita, apelando aos homens que estejam atentos, porque nem sempre a penetração resolve o problema. "É preciso explorar, antes, o corpo da mulher”, salientou.

Questionado sobre qual seria o tempo para o homem ter uma ejaculação considerada normal, o urologista disse que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não estabelece um marco, porque, se assim fosse, os casais seriam obrigados a se envolver com um cronómetro para ver se atingiram o tempo ou não.

Antonino Balaca indicou, contudo, que estudos feitos pela Universidade de New Brunswick, no Canadá, apontam que a duração média de uma relação sexual é de 5 a 10 minutos.  

No entanto, prosseguiu, pode-se considerar que houve ejaculação precoce quando o tempo entre o início da penetração e o orgasmo é muito curto. A média para a ejaculação masculina é de 2 a 5 minutos. Se ocorrer em menos tempo, já é considerada uma ejaculação precoce.

Causas da disfunção sexual

A falta de desejo sexual tem como causa fundamental a redução no nível de hormónios, sendo também neurológica, enquanto a falta de erecção está relacionada com questões psicológicas (stress, depressão, ansiedade em relação ao desempenho sexual, problemas conjugais) e causas orgânicas (como idade e problemas nos vasos sanguíneos).

O médico explicou que a erecção do pénis tem a ver com o enchimento dos vasos sanguíneos. Se estes tiverem algum comprometimento, como atiromas (camada extra que cresce nesse vaso ), diminui o seu diâmetro e o sangue terá dificuldade de passar, logo, o pénis não fica erecto.

O urologista explicou que, de forma geral, a disfunção sexual tem muitas causas, tendo como exemplo diabetes, doenças cardiovasculares, neurológicas, hormonais, renais, hepáticas, abuso de álcool, tabaco ou drogas, uso de medicamentos como alguns antidepressivos, anti-hipertensivos e anti-histamínicos.

Automedicação pode causar disfunção

Segundo Antonino Balaca, outra situação que também causa disfunção sexual é o uso de substâncias para aumentar a musculatura física durante os treinos no ginásio. O uso de medicamentos, como viagra e raízes, como o famoso "pau de Cabinda”, com o objectivo de aumentar o desempenho sexual, com o tempo, alertou, causa disfunção sexual, com realce para a falta de desejo e erecção.

"Muitos homens usam a viagra sem prescrição médica, e é uma medicação altamente perigosa, que apenas deve ser adquirida por prescrição médica obrigatória, tendo em conta o risco de morte. Mas, infelizmente, é de venda livre”, lamentou.

A título de exemplo, acrescentou, a viagra ajuda na erecção sexual, mas, se a questão do homem for a falta de desejo sexual, tomá-la não vai resolver o problema. Segundo o médico, a pessoa até pode morrer, porque essa substância faz o coração trabalhar de forma mais acelerada e não resolve o problema de desejo, ejaculação precoce ou falta de orgasmo.

"Para a disfunção erétil, existem três linhas de tratamento. A primeira são as drogas vaso-activas, como é o caso da viagra, livrita e a tadalafila (Siales). Depois, temos a segunda linha de tratamento, que são as drogas intra-cavenosas ou intra-uretral (comprimidos colocados na uretra, que ajudam na erecção ou aplica-se injecção, que é muito eficaz).

Por último, sublinhou, existe o implante da prótese penial, nos casos mais graves, e, infelizmente, disse, em Angola não se aplicam estas próteses. Os que o fazem, informou, recorrem ao Brasil, Portugal e África do Sul.

Por isso, prosseguiu o médico, é importante que os homens com algum problema de disfunção sexual procurem o especialista, para saber qual é a causa, a fim de ser tratada.

Se for hormonal, frisou, será encaminhado para um endocrinologista, se for psicológica, vai a um psicólogo, e, muitas vezes, ao terapeuta conjugal. Caso esteja ligado a problemas cardíacos, segundo o médico, o indivíduo recorre ao cardiologista e, se for apenas do fórum urológico, o urologista trata.

Homens procuram ajuda médica por pressão das parceiras

A disfunção sexual masculina é um problema de saúde que pode ocorrer em qualquer fase da vida adulta, impedindo que haja uma resposta sexual satisfatória para si e para a parceira. Isso afecta a qualidade de vida do homem, a nível pessoal, familiar e até profissional.

Embora seja uma realidade bastante comum na vida de muitos homens, ainda existem vários tabus em torno do problema, o que impede o indivíduo de se sentir à vontade para falar sobre o assunto com a parceira, amigos ou pedir ajuda médica.

Foi isso que aconteceu com Nelson (nome fictício), de 40 anos, jurista e professor universitário. Sempre teve uma vida sexual activa e gabava-se, entre os amigos, que era bom de cama, porque não dava tréguas às namoradas que foi tendo ao longo da vida, mas sem saber os motivos, ao fim de dois ou três meses de namoro, algumas iam-se embora sem dizer nada.

Aos 28 anos, casou-se, teve dois filhos, mas recorda que a mulher, que no princípio da relação gostava muito de fazer amor, aos poucos foi apresentando desculpas e perguntava se ele não gostaria de ir a uma consulta de Urologia para saber se era normal um homem demorar tanto para ejacular.

Convencido de que tudo estava bem, Nelson ria-se da sugestão da esposa, dizendo que era muito jovem para ter esse tipo de problemas.

No entanto, todas as vezes que fizessem amor, no fim, a esposa de Nelson reclamava de dor e muita demora para ejacular. Ele dizia apenas que tinha sangue quente a correr nas veias, e, por ser também atleta, era normal a sua desenvoltura sexual.

 "Eu estava completamente errado. A minha esposa sentia mais dor do que propriamente prazer, porque eu podia ficar mais de 10 minutos a fazer penetrações e não ejaculava. Para mim, isso parecia ser saudável e dizia-lhe que era muito normal um homem de verdade cansar a esposa na cama para impor respeito.”

Como a situação não melhorava, a esposa de Nelson foi evitando o contacto com ele, começou a dormir mais cedo ou muito mais tarde e, por vezes, fingia estar cansada, só para não ser tocada pelo marido.

O tempo foi passando e Nelson não procurava ajuda médica. Contudo, como a esposa queria manter o casamento, marcou uma consulta de Urologia para o marido. Mas ele se recusou.

Foram quatro anos de efectiva reclamação, ao ponto da vida sexual do casal estar completamente comprometida, sem falar nas brigas que eram constantes. O marido chegou a dormir no carro, algumas vezes, para evitar discussões.

Ao fim de dez anos, a esposa procurou outro rumo.

 "Só depois da minha esposa me abandonar é que percebi que precisava de ajuda urgente de um urologista, porque a namorada que arranjei um ano depois da separação, começou a reclamar e também me deixou pelo mesmo motivo”, contou, visivelmente magoado.

Então, sozinho, decidiu marcar uma consulta com o urologista e, depois de vários exames, o médico disse que tinha disfunção ejaculatória retardada (demora em ejacular). "Mas tem cura, se seguir à risca com a medicação. E assim estou a fazer. Graças a Deus, já estou a melhorar, mas, infelizmente, a minha esposa já arranjou outro companheiro”, lamentou.

Esposo tinha disfunção erétil

Diferente de Nelson, o esposo de Etiandra (nome fictício) tinha disfunção erétil (problema de erecção).  Ela e o marido namoraram durante três anos. Foi amor à primeira vista, que surgiu no segundo ano do curso de Engenharia Informática, na Universidade Independente de Angola, onde estudavam.

A paixão e cumplicidade existente entre o casal era percebida até pela simples troca de olhares. O casamento, que aconteceu em 2018, foi como a cereja no topo do bolo, tornou-os mais íntimos, proporcionando uma sintonia sem igual entre ambos.

"Os primeiros dois anos de casamento foram uma verdadeira lua-de-mel, porque tínhamos uma vida sexualmente saudável. Mas, sem entender porquê, a química dele por mim começou a desaparecer. Já não tinha tanta disposição de fazer amor. Dizia que estava cansado, porque trabalhava muito e foi reduzindo o número de vezes que nos relacionávamos”, contou.

Na semana, passaram a envolver-se apenas uma ou duas vezes, quando no passado eram duas a três ao dia. O esposo de Etiandra tinha dificuldades em conseguir ou manter uma erecção e, quando conseguisse, era apenas por pouco tempo. Ao tentar penetrar, murchava logo.

Então, Etiandra apercebeu-se logo que alguma coisa  estava mal com o marido. Tentou conversar com ele várias vezes, mas sem sucesso. "Ele fechava-se, chateava-se e passou a me evitar com frequência, chegando muito tarde a casa, estando eu já no sono profundo”, explicou.

 O casal chegou a ficar até seis meses sem se envolver sexualmente. A angústia era tanta que Etiandra convocou os padrinhos e os sogros para aconselharem o esposo a consultar um médico, mas também sem sucesso

"Sem me dar qualquer explicação, ele simplesmente mudou de quarto. Já dormia fora de casa dois a três dias. Aguentei essa situação por dois anos, depois me fartei. Como não tivemos filhos e já vivíamos como irmãos, então, para não lhe trair, separámo-nos e hoje tenho outra pessoa”, disse.

Disfunção sexual é uma das principais causas de divórcio

O psicólogo clínico Vunda Tonet afirmou que, além do urologista, é importante que o indivíduo com disfunção sexual seja também acompanhado por um profissional da área de saúde emocional ou mental.

Ao serviço do Hospital Psiquiátrico de Luanda, Vunda Tonet disse que o psicólogo clínico tem como missão treinar o paciente para saber lidar com a ansiedade, falta de motivação e autoconfiança, sentimentos bastante comuns nestes casos.

"Estes sentimentos negativos que o paciente apresenta, geralmente o bloqueiam, fazendo com que o acto sexual não seja satisfatório, situação muitas vezes motivada por crenças limitantes e disfuncionais relativas ao desempenho que o paciente apresenta”, afirmou.

Segundo o psicológico clínico, a disfunção sexual é um dos principais motivos de divórcio e constantes brigas no lar na sociedade angolana, sendo apenas ultrapassado por problemas financeiros. 

Vunda Tonet referiu que os divórcios que têm como causa a disfunção sexual tendem a aumentar, devido, também, à resistência dos homens em procurar ajuda médica para solucionar o problema.

"Muitas vezes, a mulher já deu conta que algo está errado com o parceiro e aconselha a procurar ajuda, mas ele, por vergonha e medo, simplesmente vai adiando ou não vai mesmo ao hospital, e isso origina brigas fortes, e, por vezes, agressões físicas que criam um clima insustentável, acabando em divórcio”, esclareceu.

Problema de saúde pública

O psicólogo clínico afirmou que a questão da disfunção sexual masculina constitui um sério problema de saúde pública e, no seu entender, deve merecer atenção das autoridades de saúde, devido às queixas recebidas em consultas, não só em Luanda, como nas demais províncias.

"Temos recebido dados vindos de urologistas, médicos de Medicina Geral que, em primeira instância, lidam com estes pacientes e, também, de outros colegas psicólogos e terapeutas conjugais que  falam muito sobre a problemática”, afirmou.

O especialista defendeu que tanto as consultas de Urologia como as de Psicologia Clínica deviam estar cada vez mais próximas dos utentes, isto é, nos centros de saúde, porque o tempo de espera para ambas é muito longo. Isso, muitas vezes, acrescentou, agrava o problema e deixa as pessoas sem alternativa de tratamento junto das comunidades.

Vunda Tonet aconselha os homens que padeçam de algum tipo de disfunção sexual a não se fecharem e pararem de viver no sofrimento porque há solução, desde que procurem ajuda do urologista, em primeira instância, para depois serem conduzidos aos demais especialistas, caso necessário.

Mulher desempenha papel crucial

Para que o tratamento da disfunção sexual masculina tenha efeito, a mulher desempenha um papel crucial na forma como vai tratar o parceiro durante este período, segundo o terapeuta conjugal, familiar e emocional Raúl Jorge.

Para o especialista, é recomendável que a parceira acompanhe o esposo nas consultas, principalmente de Urologia, para ajudar o próprio médico no diagnóstico, porque, quando questionados, muitos homens afirmam estar tudo bem.

Mas, se a mulher estiver presente, lembrou, poderá explicar de forma detalhada, porque o problema do marido também lhe afecta. E nesta consulta, acrescentou, a mulher será também ajudada a evitar os estímulos externos negativos.

Por exemplo, prosseguiu, a mulher deve evitar falar sempre das dificuldades do marido em lhe satisfazer sexualmente, com expressões como "tu és um fraco”, "só mandas bocas aqui, mas na cama não dás nada” ou "não és homem suficiente”, todas estas palavras, disse, só pioram a situação do marido.

Raúl Jorge afirmou que o homem não é tão difícil de agradar sexualmente, como as mulheres. A mulher, frisou, tem 15 zonas erógenas, mas o homem só tem uma, que deve ser bem aproveitada e acariciada. "A parceira tem de dominar isso, se quiser ajudar o seu esposo”, aconselhou.

O terapeuta conjugal disse que, ao se envolver sexualmente, não é preciso empregar a força. "Ao invés de ter pressa para introduzir, devem deixar-se viajar na sexualidade, ter mais em conta a componente pré do que o coito em si”, aconselhou.

O especialista aconselha ainda aos homens a ter o hábito de perguntar às esposas como se sentem do ponto de vista sexual, se elas gostaram ou não e deixá-las se expressarem e inovarem algumas técnicas íntimas, sem que sejam mal interpretadas pelo esposo. Isso, acrescentou, ajuda a sair da monotonia sexual que é, também, uma outra causa de disfunção sexual masculina.  

Envolvimento sexual saudável

Questionado sobre quantas vezes o casal deve se envolver durante o dia ou na semana para ser considerado sexualmente saudável, Raúl Jorge esclareceu que a OMS não estabelece o número de vezes, o marco é a satisfação sexual de ambos.

 "Tem de haver orgasmo. O homem tem de viajar e ter as cinco estações, sendo a primeira o desejo, seguido da erecção, emissão, ejaculação e o orgasmo”, esclareceu.

Já a mulher, explicou, tem três estações, o desejo, a excitação e o orgasmo. Apesar de a mulher ter apenas três estágios, acrescentou, para chegar ao orgasmo, é muito mais complicado do que o homem. "Mas, se os dois conseguirem chegar ao orgasmo, aí, sim, dizemos que houve um envolvimento sexual saudável e satisfatório”, sublinhou.

Vida sexual e rotina diária

O terapeuta conjugal referiu que a vida sexual dos casais está relacionada com a sua rotina diária, levando em conta as actividades profissionais e estilo de vida de cada um.

 "Se os casais tiverem um estilo de vida saudável, que envolve boa alimentação, prática de exercícios físicos, baixo índice de consumo de álcool, não usa cigarros, é normal que durante uma noite consigam ter três ou até quatro envolvimentos sexuais”, explicou.

Segundo Raúl Jorge, um casal saudável que faz sexo de facto, cumprindo com as preliminares, onde cada um explora o corpo do outro, e, por último, o coito, os dois atingem, realmente, o orgasmo. Depois disso, sublinhou, a tendência será adormecer, porque o acto sexual liberta um conjunto de hormónios, obrigando o organismo a relaxar.

Para o especialista, se o casal se envolver todos os dias, está muito bem, mas, se por vários motivos, não há esta disposição, então três a quatro vezes na semana é considerada uma relação saudável sexualmente.

Segundo o terapeuta conjugal, estudos apontam que uma pessoa com uma vida sexual saudável, em regra, trabalha melhor, tem maior disposição para conversar e enfrentar o dia-a-dia e é muito mais alegre com a vida.

"O que não é nada saudável e sinal claro de que algo não vai bem com o homem é ele ficar semanas ou um mês completo a olhar para a sua própria mulher sem fazer nada. Aí, já estaremos em presença nítida de que há um distúrbio de desejo e deve ser corrigido”, concluiu.

Jornal de Angola

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