Da Beleza Perdeu o Combate, Manteve o Microfone- Sousa Jamba

 


Da Beleza foi batido em Moçambique — não há que enfeitar. Os juízes viram, a câmara viu, até o sino pareceu tocar com um tom de simpatia. Mas, apesar disso, fez algo de peculiarmente angolano e discretamente útil: levou o ruído consigo. Chegou a falar, saiu a falar e, pelo meio, lembrou-nos que somos, como nação, de classe mundial a fazer entradas — e nada maus a demorar-nos na saída.


Nós, angolanos, temos um fraquinho pela exibição como alguns têm pelos piqueniques da igreja. Põe-se o melhor à vista, trautear um bocadinho, cumprimentar toda a gente duas vezes. Da Beleza fez a sua parte. O jogo de pés era incerto, a guarda vinha e ia como um parente envergonhado, mas a lábia — ah, a lábia — mantinha-se firme como um metrónomo. Moçambique arrecadou os pontos; Angola arrecadou uma história.



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Foi bom boxe? Não segundo o manual. Mas, como teatro, teve os seus momentos: o passo antes do combate a dizer “confiem em mim”, o encolher de ombros a meio a dizer “tenham paciência”, o sorriso final a dizer “hão de lembrar-se de mim”. Numa arte em que os promotores transformam eco em rendimento, uma grande boca  fiável é equipamento de primeira necessidade.


E então a noite encontrou o seu desfecho natural: a internet deu com ele num quarto de luz suave, estendido na cama ao lado de uma jovem bonita, ah, uma latona,, a explicar, com uma tristeza paciente, que os árbitros tinham sido pouco amáveis. A imagem, como agora se diz, era impecável. O campeão estava batido, sim, mas o quadro ficou arrumado — a derrota penteada e deitada, literalmente — com um suspiro que sugeria que a noite terminaria nos seus termos, se não o combate.


Há aqui uma lição para os mais novos que ensaiam a pose ao espelho. A presença conta. Consegue-se transformar uma sala pequena numa grande só com a boca, se mantivermos a calma — e as vogais. Mas presença sem prática é prima da farsa. A boca é um belo instrumento; soa melhor quando acompanhada por um direto que sabe ao que vai e por pés que não discutem entre si.


Fiquemos, pois, com o que fazemos bem — o floreio, o olá que enche um vão de porta — e juntemos as virtudes mais simples: estrada antes do amanhecer, uma guarda que se mantém em casa, um fôlego tirado quando os outros se precipitam. Falar alto, treinar mais alto. Que as fanfarronices viajem e as mãos cheguem a horas.

Da Beleza perdeu o combate, sem dúvida. Mas manteve o microfone e, por uma noite ruidosa, deu a Angola exatamente aquilo em que somos exímios: um espetáculo limpo, dobrado e arrumado, com um sorriso para a câmara e a promessa de fazer melhor no próximo duelo em Luanda. Da Beleza é gênio!



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