Vozes da sociedade civil exigem destituição de João Lourenço



Luanda amanheceu com um eco retumbante vindo das entranhas da cidadania organizada. Não foi um partido político, nem uma convenção institucional. Foi um grito vindo das margens, das ruas, das memórias e das perdas: “João Lourenço deve sair!” Assim começa a petição pública lançada por figuras proeminentes da sociedade civil, reunidas sob o espírito de um país exausto de esperar por justiça, por pão e por liberdade.


O documento, subscrito por nomes reconhecidos da esfera cívica e artística como Luaty Beirão, Hitler Samussuku, Sizaltina Cutaia, Alexandra Simeão , Ilídio Manuel, Cesaltina Abreu, Nelson Dembo “Gangsta77” , Dito Dalí, JPrivado, Isidro Fortunato, Jerónimo Nsisa e muitos outros activistas, juristas, jornalistas, académicos e jovens organizados, aponta para uma exigência clara: a destituição imediata de João Manuel Gonçalves Lourenço do cargo de Presidente da República de Angola.


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A base do pedido não é passional, tampouco arbitrária. A petição recorre à própria Constituição da República, lembrando os pilares fundacionais do Estado angolano — o direito à vida, à liberdade, à integridade física, à manifestação e à informação. Princípios esses que, segundo os signatários, vêm sendo sistematicamente violados desde a ascensão de João Lourenço ao poder em 2017.


Cafunfo virou um símbolo. Sílvio Dala, um mártir. Juliana Cafrique, uma cicatriz. Inocêncio de Matos, um nome eternizado na dor. A cada nome citado no texto, um país se reconhece em luto. Um país que chora os seus filhos mortos não apenas pela brutalidade policial, mas pelo silêncio institucional, pela impunidade e pelo desprezo à dignidade humana.


Se os massacres em plena pandemia já haviam exposto a face sombria do regime, a recente repressão aos protestos contra a retirada dos subsídios aos combustíveis tornou impossível ignorar o colapso do contrato social. O que deveria ser um debate económico, transformou-se em guerra contra os pobres. Tanques para responder à fome. Balas para calar o grito da sobrevivência.


A crônica da repressão vem acompanhada da manipulação. TPA, TV Zimbo, RNA e o Jornal de Angola — todos apontados como aparelhos de propaganda e não como veículos públicos de informação. A Constituição, mais uma vez, é rasgada diante da necessidade de sustentar um discurso único, apagando os rostos das vítimas e abafando as vozes do inconformismo.


Mas se os meios foram sequestrados, o povo encontrou os seus próprios microfones. A petição torna-se, assim, um novo instrumento de soberania. “O povo exige justiça, liberdade e dignidade”, diz o manifesto, num tom que mais parece um prelúdio à insurreição pacífica de consciências.


O Hitler Samussuku, articulador do processo, lembra que esta não é apenas uma lista de assinaturas, mas um chamado à Assembleia Nacional: ou se curva diante do medo, ou se levanta em nome do povo. É uma escolha histórica, entre a conivência e a coragem.


O que está em jogo não é apenas o mandato de um homem, mas o futuro de uma nação que não aceita mais ser governada sob o terror e o silêncio. A petição é, portanto, o reflexo de uma Angola que ainda resiste, ainda respira, ainda acredita que “ninguém está acima da Constituição”.


No final, resta uma certeza: não há propaganda que silencie o clamor da memória. E quando as vozes que resistem passam a assinar juntas, o tempo da mudança não é mais uma possibilidade — é uma exigência.


Fim.



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