O PR LEVOU (NOVAMENTE) A MAIORIA DOS MINISTROS? - GRAÇA CAMPOS



É sabido que Angola deverá estar no top 4 dos países com maior número de pastas ministeriais.

Para gerir um país com uma extensão territorial de 1. 247. 000 km², o Presidente da República e Titular do Poder Executivo formou uma extensa “sleep team” (equipa de sono) formada por 24 ministros. Acima desses artistas estão não apenas o TPE, como quatro ministros de Estado (Casa de Segurança, Casa Civil, Área Social e Coordenação Económica). O gabinete do Presidente da República é dirigido por um director com estatuto de Ministro.

Como também tem assento no Conselho de Ministros, a Vice-Presidente é, para todos efeitos, igualmente membro do Executivo.



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Contados os secretários de Estado, em média um por cada ministro, temos que a folha salarial mensal dos auxiliares directos do TPE deve contemplar, na melhor das hipóteses, uns 100 indivíduos.

Não é por acaso que, no país, eventos a que o Titular do Poder Executivo esteja presente têm de ter uma enorme capacidade. 

O despropositado “tamanho” do Executivo angolano é notado nas condecorações feitas a propósito dos 50 anos da proclamação da independência nacional. 

Nessas ocasiões, até mesmo a espaçosa sala de convenções do Hotel Intercontinental parece-se a uma caixa de fósforo.

Obrigados a fazer a corte ao Chefe, todos os ministros, secretários de Estado, titulares de todos outros órgãos de soberania, lideranças militares e paramilitares bem como dos Serviços de Inteligência disputam, à cotovelada, os lugares que garantem exposição televisiva. Se vivo, Uanhenga Xitu dir-nos-ia, seguramente, se aos cães dos ministros também têm sido reservados espaços nesses disputados eventos. 

Nos países de língua portuguesa, só o Brasil tem mais ministros do que Angola. Mas, os 31 ministérios, as três secretarias e os quatro órgãos equivalentes a ministérios gerem uma federação de estados de dimensão continental, com respeitáveis 8 510 000 km², e habitada por 213,4 milhões de almas (segundo os levantamentos mais recentes). 

O despropositado “tamanho” do Executivo angolano é também notado quando o TPE se desloca ao interior do País ou o PR vai ao estrangeiro. Avesso à “solidão”, onde quer que vá, João Lourenço faz-se sempre acompanhar de uma numerosa corte, não sendo em vão que, não poucas vezes, as quase semanais idas ao estrangeiro mobilizaram mais do que duas aeronaves (na segunda tomada de posse do Presidente Lula, em Janeiro de 2023, foram três).

Sintomaticamente, quando o TPE não está no país, os angolanos são tomados pela momentânea ilusão de terem um governo proporcional ao tamanho do seu território e à sua população. 

Por exemplo, na quarta-feira, 17, o Ministro Chefe da Casa Civil, Adão de Almeida, foi à Caxicane (o meu amigo e xará Kajim Ban Gala perdoar-me-á qualquer equívoco na grafia do nome) presidir às celebrações do dia do Herói Nacional, efeméride unilateralmente decidida pelo MPLA, e tinha a seu lado, apenas, três ministros, designadamente, o da Administração do Território, das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social e da Acção Social, Família e Promoção da Mulher. 

A ausência da maioria dos ministros de um acto, a que o MPLA finge dar muita relevância, coincidiu com a deslocação, no dia anterior, de João Lourenço aos Estados Unidos para, segundo o Centro de Imprensa da Presidência da República, “uma visita privada, à qual se seguirá uma missão em Nova Iorque, no quadro do debate geral da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas”.

A Assembleia Geral das Nações Unidas decorrerá de 23 a 27 de Setembro. Até àquela data, o Presidente da República estará, “em visita privada”, no estado da Florida. 

A pergunta é: os ministros que não foram vistos em Catete estão com o PR na sua visita privada à Florida ou já estão em Nova Iorque para preparar o quarto do primeiro casal angolano?

Outra questão: o país tem necessariamente de parar nos dias em que o PR atribui condecorações?

Moral da história: como acompanham-no a todo o lado e ele não para no país, a maioria dos ministros ou - como diz a CRA - auxiliares do TPE - são tão imbumbáveis” quanto o chefe deles.


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