Os munícipes de Cacuaco manifestam descontentamento e acusam o administrador local, Fernando João, de não dar destino claro ao montante de 240, 7 milhões de kwanzas disponibilizados pelo Governo da Província de Luanda, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, para a mudança da imagem daquele município.
Segundo os denunciantes, tomaram conhecimento da entrega do dinheiro através dos órgãos de difusão massiva e aguardavam com ansiedade ver uma imagem diferente do seu município, o que não acontece até à presente data, situação que, em parte, entristece quem ali vive.
Os entrevistados, visivelmente aborrecidos com o gestor público, avançaram que, do dinheiro destinado à mudança da imagem do município, apenas serviu para a colocação de placas luminosas com os dizeres “Eu amo Cacuaco”, junto ao antigo Jango, e “Cacuaco Município Real”, junto à igreja católica.
Informaram ainda que parte das verbas terá sido usada para a limpeza da orla marítima e para a requalificação de pequenas valas de drenagem localizadas em frente da Vila-Sede e na zona da Pedonal Azul, cujas obras já duram há mais de três meses e nunca foram concluídas.
Após as denúncias, por mais de dois dias, o Na Mira do Crime efectuou uma ronda nos diversos bairros do município de Cacuaco, desde a Nova Urbanização, Belo Monte, Pedreira, Paraíso, Malueca, Bananeiras, Boa Esperança e Augusto Ngangula, onde constatou ausência de bens e serviços e ouviu o grito de socorro dos habitantes.
Gomes Paulo da Conceição, de 53 anos de idade, morador do bairro Paraíso há mais de duas décadas, avançou que o bairro foi apenas improvisado com uma “palhaçada” de terraplanagem desde a avenida Mano Chaba até ao quintalão do antigo cemitério dos Mulenvos.
“Eles sabem que nós vivemos em condições deploráveis, sobretudo no que concerne às vias de acesso que ligam a outros municípios, falando de Cazenga e Viana. Aproveitam fazer a brincadeira da terraplanagem para justificar a saída das verbas”, atirou.
Quem também não escondeu a sua insatisfação é a senhora Rosa Sebastião, de 49 anos de idade, moradora do bairro há mais de 15 anos, que afirmou viverem em muitas dificuldades, referindo igualmente as vias de acesso que nunca foram concluídas, apontando este como um dos maiores problemas dentre vários, sendo que, quando a chuva cai, os moradores são obrigados a permanecer em casa por falta de estradas.
Por sua vez, o senhor Nvunda Simão, de 56 anos de idade, morador da Nova Urbanização, salientou que, para o administrador Fernando João, Cacuaco resume-se apenas à Vila-Sede e à Boa Esperança, onde ele e a sua equipa concentram a atenção.
“Uma das coisas que me deixa extremamente irritado é a requalificação do tapete asfáltico que liga a Africana à Vila-Sede, que já se encontrava em boas condições, ao invés de pensarem em melhorar outros bairros. Isso demonstra uma grande incompetência por parte dos nossos gestores a nível de Cacuaco”, disse.
Os entrevistados explicaram que, desde a chegada de Fernando João como Administrador Municipal de Cacuaco até ao momento, nada foi feito. Afirmam que as obras existentes, embora muitas delas abandonadas, são da autoria de outros administradores, com destaque para Auxílio Jacob, que nos seus últimos tempos apostou na mudança da imagem do município e não apenas da Vila-Sede.
Em busca do contraditório, o Na Mira do Crime deslocou-se até à Administração Municipal, onde manteve contacto com o director de Comunicação e Imagem, Alexandre Capusso, que desmentiu as acusações e afirmou que as obras são pagas em função da sua execução.
Avançou ainda que o desafio lançado pelo Governo da Província de Luanda visa apenas a requalificação da imagem do município, concretamente da Vila-Sede.
“Está em curso o projecto de transformação da orla marítima em baía, a requalificação dos tapetes asfálticos da Vila-Sede, bem como a aplicação de tapete asfáltico na zona da SOAV, sob responsabilidade da empresa OMATAPALO. Inclusive, já temos o espaço onde a empresa poderá instalar o seu estaleiro”, avançou.



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