A UNITA – União Nacional para a Independência Total de Angola denunciou, esta sexta-feira, o que classifica como actos de discriminação e intolerância política protagonizados pelos hotéis Ilha Mar e Costa Sol, na Ilha de Luanda, após o cancelamento de uma palestra dedicada ao papel histórico das ex-FALA – Forças Armadas de Libertação de Angola.
Em nota de repúdio assinada pelo secretário comunal da UNITA na Ilha de Luanda, Fernando Chamuene, o partido afirma que a actividade estava enquadrada nas comemorações do 24 de Janeiro, data que homenageia os antigos combatentes das FALA, antigo braço armado da UNITA, e teria como orador o general na reforma Abílio Kamalata Numa.
Segundo o documento, o Hotel Ilha Mar teria inicialmente aceite acolher o evento na Sala Rubi, mediante o pagamento de 128 mil kwanzas pelo aluguer do espaço. No entanto, horas depois, a direcção do hotel comunicou o cancelamento unilateral da actividade, alegando indisponibilidade da sala devido a “erros internos de verificação da tabela de eventos”, justificação que a UNITA considera falsa e discriminatória.
Ainda de acordo com a nota, a direcção do Hotel Ilha Mar terá encaminhado os organizadores para o Hotel Costa Sol, onde foi efectuado o pagamento de 150 mil kwanzas. Contudo, após contactos posteriores, os responsáveis do Hotel Costa Sol informaram que não autorizam a realização de actividades de natureza política nas suas instalações.
A UNITA relata que, no dia seguinte, o secretário comunal deslocou-se pessoalmente ao Hotel Costa Sol, apresentou a factura e recebeu confirmação da disponibilidade da sala. Porém, com a chegada do general Kamalata Numa, acompanhado do secretário municipal da UNITA na Ingombota, MV Kamateus Alfredo, a direcção do hotel voltou atrás e proibiu a realização da palestra, tendo apenas procedido ao reembolso do valor pago.
O partido afirma que todas as tentativas de contacto com a responsável do hotel, identificada como Ladila, foram infrutíferas, e que, mesmo após diálogo directo entre o director do Hotel Costa Sol e o general Kamalata Numa, a actividade foi definitivamente impedida.
Na nota, a UNITA considera que os episódios reflectem um ambiente de perseguição política e intolerância sistemática, alegando que iniciativas associadas ao partido continuam a enfrentar obstáculos, mesmo quando se tratam de actividades de carácter histórico e académico. O partido rejeita ainda a justificação apresentada pelo director do Hotel Costa Sol, que invocou convicções religiosas para recusar eventos políticos, classificando o argumento como selectivo e discriminatório.
A UNITA conclui reafirmando que não aceitará o que considera ser o silenciamento da sua história e da memória das FALA, defendendo que a liberdade política e de expressão continuam condicionadas no país.
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