QUANDO A VERDADE INCOMODA, A JUSTIÇA É USADA COMO SILÊNCIO- Nelson Mucazo Euclides



Recebi, com serenidade, uma chamada telefónica que me notificou a comparecer na Procuradoria-Geral da República, junto do SIC/Moxico, onde fui informado de que já fui constituído arguido num processo que, até então, desconhecia. Alegam crime de difamação e calúnia, com uma primeira audiência marcada para o dia 16, num sexta-feira . Sim, sexta. Estranho, não?

Mas, sinceramente, não me surpreende. Este é um ano politicamente sensível, e quem decide pensar diferente, questionar ou simplesmente existir com coragem, já sabe que o caminho não será fácil. O contrário, sim, seria novidade.

Não me assusta o processo. O que me assusta é o facto de que, num Estado de Direito, a liberdade de expressão ainda continue a ser tratada como crime. O direito à crítica, à opinião e à participação cívica não pode ser confundido com ataques pessoais. Difamar é mentir com intenção; opinar é um direito.

O uso das instituições como instrumentos de intimidação não é novo. Já aconteceu com outros. Está a acontecer comigo. E poderá acontecer com qualquer um que ouse levantar a voz. Mas que fique claro: não é o medo que me move, é a consciência.

Comparecerei, com o mesmo respeito que sempre tive pela justiça, mas com a firmeza de quem sabe que não calará a sua voz por conveniência. Continuarei a acreditar num país onde a crítica constrói, e não destrói. A minha esperança está no povo, que, mesmo em silêncio, observa.


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