“Em 2027 a juventude vai tomar as ruas”, diz o activista social.
Primeiro, uma dúvida honesta: activista social é profissão com salário fixo ou ganham comissão por manifestação organizada? Pergunto só para perceber o modelo de negócio.
Porque numa democracia funcional — daquelas que ainda acreditam em pequenos detalhes como leis, instituições e votos — o poder muda nas urnas, não no asfalto. Rua serve para protestar, pressionar, chamar atenção. Mas governar… isso ainda se decide com boletins de voto, não com megafones.
Se a ideia é mudar o rumo do país, há um método revolucionário (e surpreendentemente legal):
- formar um partido
- apresentar um programa
- convencer eleitores
- ganhar eleições
Eu sei… dá mais trabalho do que discursos inflamados e frases épicas para entrevistas. Mas é assim que se mede apoio real — não pelo barulho da multidão, mas pelo silêncio da cabine de voto.
Esta posição confortável de “agitar consciências” enquanto se fica estrategicamente em cima do muro — suficientemente rebelde para parecer corajoso, suficientemente vago para não assumir responsabilidades — começa a parecer mais uma audição prolongada para um futuro cargo político do que um projecto sério de governação.
E há outro detalhe curioso na história das “ruas que mudam tudo”:
quando a tensão sobe e as coisas correm mal… quem paga o preço nunca é o activista com microfone. São sempre os anónimos que atenderam ao apelo, acreditaram no discurso e apareceram para “fazer história”.
Porque discursos inflamados não sangram. Pessoas reais sim.
Se a “juventude” quer definir o futuro — excelente. Que o faça com maturidade política, organização e propostas concretas. Não com romantização de confrontos que normalmente acabam em desilusão… e às vezes em tragédia.
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