Material seria usado para melhorar a imagem das casas na entrada da Vila, mas a obra nunca foi realizada e a população pede explicações.
No município do Bembe, província do Uíge, surgem denúncias sobre o desaparecimento de mais de 400 sacos de cimento que teriam sido comprados pela Administração Municipal em 2024 para melhorar a imagem das casas localizadas na faixa principal da Vila.
Segundo informações recolhidas junto de fontes locais, a iniciativa fazia parte de uma ação que também foi realizada em outros municípios da província do Uíge, onde as administrações adquiriram cimento para apoiar a melhoria da aparência das residências nas principais vias de acesso às vilas. No entanto, no caso do Bembe, o projeto nunca chegou a ser executado.
De acordo com os dados disponíveis, a Administração Municipal do Bembe teria adquirido mais de 400 sacos de cimento, através de ordens de saque, num valor estimado em mais de 3 milhões de kwanzas. Apesar do pagamento ter sido efetuado, até hoje não se sabe o verdadeiro destino do cimento.
Há relatos de que o material teria sido levantado nas instalações da empresa Cimangola, em Luanda. Contudo, moradores afirmam que o cimento nunca chegou ao município do Bembe.
Outras fontes alegam ainda que o material pode ter sido vendido na cidade do Uíge, capital da província, situação que levanta sérias dúvidas sobre o destino do produto comprado com dinheiro público.
Entre os nomes mencionados nas denúncias estão o administrador municipal do Bembe Gildo Laurindo Unigénito, Ex Director do GEPE Teixeira Dala e Ex Secretário Geral André Matumona, que segundo as acusações teriam ligação com a gestão ou levantamento do cimento.
Até ao momento, não houve uma explicação clara sobre o desaparecimento do material nem sobre as razões pelas quais o projeto de melhoria das casas da vila não foi realizado.
Perante a situação, pedimos esclarecimentos urgentes e defendemos que as autoridades competentes devem investigar o caso para que se saiba onde foi parar o cimento comprado com recursos do Estado.
A população do Bembe espera que o assunto seja esclarecido e que, caso se confirmem irregularidades, os responsáveis sejam responsabilizados.
Pedro Paka: Defensor dos direitos humanos| Repórter comunitário
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