Silêncio de João Lourenço levanta suspeitas de protecção política a Mário Oliveira e Manuel Homem

 


Várias cartas foram enviadas ao Presidente da República, João Lourenço, denunciando alegados esquemas de descaminhamento de verbas na Rádio Nacional de Angola envolvendo os nomes de Mário Oliveira (https://www.odecreto.com/2026/01/01/mario-oliveira-afunda-meios-apreendidos-apenas-tv-zimbo-sobrevive-no-meio-de-um-imperio-confiscado/) e Manuel Homem (https://www.odecreto.com/2026/02/08/mario-oliveira-e-manuel-homem-citados-em-graves-processos-de-corrupcao-no-minttics-dossier-n1/), mas apesar das denúncias, não houve, até ao momento, qualquer reacção pública do Chefe de Estado.

Entretanto, um novo escândalo volta a associar os dois governantes a alegadas irregularidades financeiras ligadas à Movicel. As acusações reforçam preocupações sobre a gestão de fundos públicos e a transparência nas instituições.

Ainda assim, João Lourenço mantém-se em silêncio. Não houve exonerações, nem esclarecimentos oficiais. Analistas consideram que o silêncio institucional pode estar a ser usado como esconderijo da corrupção em Angola.

Testemunhas ouvidas pela nossa redacção afirmam que, no passado, a Casa Civil da Presidência e o Gabinete do Presidente da República eram mais actuantes: “antes, quase todas as cartas recebiam resposta. Hoje, não se sabe para onde vão as correspondências dirigidas ao Chefe de Estado”, disse uma fonte.

Para o analista político Valdemar Domingos, a falta de resposta compromete os princípios do Estado democrático de direito: “o cidadão vê limitado o seu direito de informar e de ser informado. Isto pode ser interpretado como cumplicidade institucional e fragiliza a confiança nas instituições públicas”, afirmou.

Domingos defende ainda maior abertura por parte do Presidente da República: “O Chefe de Estado deve ouvir os cidadãos, como acontece em países como os Estados Unidos, Brasil e Portugal, onde há maior proximidade entre o líder e a população”, acrescentou.

O analista recomenda aos lesados recorrerem aos órgãos de comunicação social, embora reconheça limitações.

“É preciso escolher bem os meios. Alguns estão condicionados pelo Executivo. Por isso, muitos recorrem a plataformas alternativas como O Decreto, Folha 8 e Clube K”, lamentou.

Do ponto de vista jurídico, o silêncio da Administração levanta questões legais.

O jurista Manuel José Cangundo considera que não é normal que um órgão público não responda a solicitações formais dos cidadãos.

“A lei obriga a Administração a prestar informações e a pronunciar-se sobre os assuntos que lhe são apresentados”, explicou.

Cangundo cita o Decreto-Lei n.º 16-A/95, que regula o procedimento administrativo, sublinhando que existe um prazo legal de até 15 dias para resposta.

Segundo o jurista, o direito à informação está consagrado na Constituição e deve ser respeitado.

“O dever de informar corresponde a um direito dos cidadãos. O silêncio institucional pode configurar violação da lei e contribuir para a perda de confiança nas instituições”, concluiu.

Analistas alertam que a persistência deste tipo de postura pode aprofundar a distância entre governantes e governados, num contexto em que a transparência e a prestação de contas são cada vez mais exigidas pela sociedade.

Coque Mukuta

O Decreto


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