A Arma do Cobarde- Sousa Jamba



Há uma forma particular de violência política que não deixa impressões digitais. Não entra pela porta com soldados, decretos ou balas; infiltra-se por imagens, murmúrios, suspeitas e pela velocidade febril das redes sociais. Recruta preconceitos antigos, homofóbicos, xenófobos, étnicos, e funde-os numa só arma, apontada com precisão contra o alvo escolhido. E faz tudo isto de rosto coberto.


A campanha actualmente movida contra o General Francisco Pereira Furtado pertence a essa família moral: organizada, deliberada, disseminada por várias frentes e conduzida por gente que não ousa mostrar a cara. Esse detalhe não é secundário. É a confissão.

Fisioterapia ao domicílio com a doctora Odeth, liga agora e faça o seu agendamento, 923593879 ou 923328762

A cobardia e a malícia nem sempre se distinguem. Neste caso, porém, tornaram-se indistinguíveis por método. O uso da inteligência artificial para fabricar imagens difamatórias não constitui apenas uma inovação técnica na velha arte do assassínio de carácter. É uma declaração de intenção. Mostra que a campanha já passou da hostilidade improvisada para uma indústria da falsidade: uma fábrica de mentiras que produz conteúdos com aparência de facto, os põe a circular, os repete, os acumula e, por fim, os deposita na consciência pública como verdade sedimentada.


Já vimos este mecanismo em funcionamento.


O ecossistema em que esta campanha prospera merece exame próprio. Uma parte da comunicação social angolana na diáspora colocou-se, há muito, numa posição de oposição estrutural ao Governo de Luanda. Isso, em si mesmo, é legítimo. A crítica e a oposição são o oxigénio da vida democrática. O problema começa quando a oposição precede a averiguação e a substitui; quando a hostilidade a um governo se torna condição suficiente para fazer circular qualquer acusação contra os seus representantes, ainda que essa acusação não tenha fonte, prova ou coerência interna.


Nesse ponto, aquilo que se apresenta como jornalismo já se transformou noutra coisa: um sistema circulatório do preconceito, revestido pela autoridade emprestada da imprensa. Os jovens que habitam esse mundo, partilhando cada imagem gerada por inteligência artificial, amplificando cada acusação por verificar e saboreando cada novo ataque como uma pequena vitória pessoal, não estão a praticar jornalismo. Estão a praticar algo mais antigo e menos honroso: a turba organizada à distância.


Isto importa para além do General Furtado, embora o seu caso seja, por si só, suficientemente injusto para exigir atenção. Importa porque o jornalismo verdadeiro, aquele que se ancora na verdade e responde perante a prova, está a ser lentamente substituído por actores que adoptaram as suas formas e abandonaram a sua substância. Uma imprensa que não mostra o rosto, que fabrica citações, que gera imagens sintéticas, que mistura homofobia, xenofobia e estigma étnico, servindo depois esse veneno como comentário político, não pode ser confiada à função democrática da fiscalização. Tornou-se parte do problema que afirma combater.


Tenho falado sobre estas matérias durante tempo suficiente para saber que o silêncio, neste caso, seria uma forma de incoerência que não estou disposto a encenar. Defender, durante anos, que a verdade e a justiça não são negociáveis, para depois me calar quando esses princípios são violados contra alguém que sei estar a ser deturpado, seria admitir que as minhas convicções sempre dependeram da identidade da vítima. A integridade de um princípio mede-se precisamente no momento em que defendê-lo se torna inconveniente.


Há, porém, um argumento mais fundo, que vai além da coerência e toca no interesse colectivo. Aqueles que hoje se deleitam com a destruição do General Furtado, que partilham cada acusação com apetite e encontram no seu desconforto uma forma baixa de prazer, estão a cultivar as condições da sua própria exposição futura.


A campanha anónima não se reforma depois de destruir um alvo. Move-se. Procura o próximo rosto. E quando esse rosto for o seu; quando a imagem falsa circular com a sua cara; quando a paternidade fabricada for repetida em entrevistas formais; quando o mesmo preconceito, domesticado pela repetição, se virar contra si, descobrirá que o silêncio que manteve perante a injustiça feita aos outros o deixou sem aliados, sem autoridade moral e sem recurso.


Não somos meras testemunhas do que se faz ao General Furtado. Somos participantes: ou da campanha, quando a amplificamos, ou da sua correcção, quando a recusamos. Não há terreno neutro. A floresta que queimamos, porque só vemos a árvore seguinte, é a mesma floresta onde todos vivemos.

Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação 

Postar um comentário

0 Comentários