O jurista e professor catedrático angolano Carlos Maria Feijó tem estado no centro do debate político e intelectual, entre o lançamento de uma obra de referência, uma intervenção de destaque nas Nações Unidas e declarações de ambição política que agitaram o panorama interno do MPLA.
No Dia de África, foi lançada a obra “Capital Humano e Desenvolvimento no Continente Africano: Experiências, Modelos e Desafios”, da autoria de Carlos Feijó. O evento contou com a presença de diversas personalidades, entre as quais Higino Carneiro, antigo governador de várias províncias angolanas, que enalteceu o contributo do autor. “O investimento no capital humano é condição única para a promoção do desenvolvimento sustentável, da inovação e da prosperidade dos nossos povos”, sublinhou Carneiro, acrescentando que “África tem talento, juventude e recursos” e que o desafio do nosso tempo é transformar essas vantagens em desenvolvimento inclusivo e duradouro.
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No plano internacional, numa intervenção nas Nações Unidas, em Genebra, Feijó defendeu que África precisa de construir um modelo próprio de Estado de Direito, baseado nas suas tradições, culturas e filosofias políticas, e não apenas replicar modelos ocidentais. Durante a apresentação do relatório “The Rule of Law in Africa”, da Global Rule of Law Commission, afirmou que África não é um continente marcado apenas por défices do Estado de Direito, mas um laboratório de inovação jurídica e política. Feijó defendeu ainda a “africanização da democracia”, com recurso a conceitos como o ubuntu, e criticou os legados coloniais nos sistemas jurídicos africanos.
No campo político interno, o jurista sinalizou a sua disponibilidade para encabeçar a lista do MPLA nas próximas eleições. Contudo, importa recordar que, de acordo com os estatutos do partido, o cabeça de lista é indicado pelo presidente do MPLA — cargo que será disputado no próximo congresso, agendado para Dezembro. O actual líder do partido e Presidente da República, João Lourenço, já anunciou a sua pré-candidatura à reeleição na liderança do MPLA e parte com clara vantagem, o que lhe conferiria, em caso de recondução, o poder de designar o candidato às eleições gerais.
Neste contexto, a declaração de Feijó de que, numa campanha contra Higino Carneiro, o venceria por larga margem — afirmação que rapidamente circulou nas redes sociais, acumulando mais de 2.700 gostos e 400 comentários — é lida como um posicionamento estratégico dentro do partido, numa altura em que o jogo de influências interno ganha crescente visibilidade pública.
Ironicamente, é o próprio Higino Carneiro quem, ao felicitar Feijó pelo lançamento do livro, demonstra que, por ora, a cordialidade entre os dois prevalece sobre a rivalidade política.
Luanda Post
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