No painel dedicado ao conteúdo local e à modernização da participação empresarial em grandes projetos, o Presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas, Pedro Silva, lançou um alerta claro sobre os desafios estruturais que continuam a limitar a presença das PME’s moçambicanas na cadeia de valor dos megaprojetos.
Segundo o dirigente, apesar do discurso recorrente sobre inclusão económica, persistem barreiras práticas que dificultam o acesso das empresas nacionais às oportunidades geradas pelos grandes investimentos.
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“Nós temos várias dificuldades e limitações, sobretudo no acesso à informação e às oportunidades dos megaprojetos. Fala-se muito sobre como aceder a estas oportunidades, mas na prática não há abertura suficiente”, afirmou.
Para Pedro Silva, a falta de informação estruturada e atempada sobre as necessidades dos grandes projetos é um dos principais entraves. O dirigente defende que uma maior previsibilidade permitiria às PME’s prepararem-se com antecedência.
“Se existisse um plano global, com um horizonte de um ou dois anos sobre as necessidades dos megaprojetos, poderíamos apoiar as nossas PME’s a capacitarem-se e a certificarem-se para responder às exigências do mercado”, sublinhou.
### Financiamento e competitividade: o outro grande obstáculo
Para além da informação, o acesso ao financiamento continua a ser apontado como um dos maiores constrangimentos para o crescimento e competitividade das PME’s em Moçambique.
Pedro Silva destaca que as condições do mercado financeiro nacional tornam difícil a participação das empresas locais em grandes projetos, sobretudo devido às elevadas taxas de juro e às exigências de garantias.
“O acesso ao financiamento em Moçambique é muito complicado. Muitas vezes, os megaprojetos exigem garantias e condições que tornam difícil a participação das PME’s. As taxas de juro são elevadas e isso compromete a nossa competitividade”, explicou.
O dirigente alerta que este cenário acaba por excluir muitas empresas nacionais da cadeia de valor, abrindo espaço para fornecedores estrangeiros com maior capacidade financeira.
“Quando se recorre à banca para financiar a participação num grande projeto, a probabilidade de insucesso é elevada. Isso faz com que muitas vezes se opte por empresas estrangeiras, porque lá fora o crédito é mais acessível”, acrescentou.
### Um desafio partilhado entre empresas e instituições
Apesar das dificuldades, Pedro Silva sublinha que as PME’s também precisam reforçar o seu papel no processo, investindo mais na capacitação técnica e na certificação.
“Temos também responsabilidades. Precisamos de capacitar mais os nossos técnicos e certificar as nossas empresas. Mas é um processo complexo e ainda não existe um ambiente totalmente favorável às PME’s”, concluiu.
MMEC 2026: palco de debate sobre o futuro do conteúdo local
As declarações foram feitas no contexto da 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC 2026), que terá lugar nos dias 6 e 7 de maio de 2026, em Maputo.
O evento reúne líderes globais dos setores de energia e mineração num momento marcado por transformações profundas nos mercados internacionais, incluindo a reconfiguração das cadeias de fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) e a crescente pressão para diversificação energética.
Organizada pela AME Trade Ltd e AME Moçambique Lda, em parceria com o Instituto Nacional de Minas e o Instituto Nacional de Petróleo, a conferência conta ainda com o apoio do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.
A presença de representantes governamentais e institucionais, incluindo o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, reforça o papel da MMEC como plataforma estratégica de diálogo entre governo, setor privado e investidores, num momento decisivo para o futuro do setor em Moçambique.
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