GEFI holding empresarial do MPLA reforça controlo sobre terminais do norte de Angola




A Sogester — Sociedade Gestora de Terminais — assumiu este sábado a gestão do Terminal Fluvial de Passageiros do Soyo, num momento em que a sua estrutura accionista deixou de ser pública.

 

A APM Terminals, subsidiária do grupo dinamarquês Maersk, alienou no final de 2022 a participação de 51% que detinha na empresa, sem que o comprador tenha sido divulgado, e a actual composição accionista não consta do site da Sogester.

 

A entrega, feita pela Empresa Portuária do Soyo (EPS-EP), decorreu nas instalações do terminal e segue-se ao concurso público lançado pelo Executivo em Abril. Mas o caso do Soyo é apenas parte de um movimento mais amplo: na mesma operação, o Governo angolano assinou também à Sogester a concessão do terminal marítimo de Cabinda, ambas por 20 anos, na sequência de um concurso público internacional lançado em 2025 ao qual concorreram seis empresas.

 


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A Sogester nasceu como joint venture entre a Maersk (através da APM Terminals) e a Gestão de Fundos de Angola (GFA), que sempre deteve os restantes 49%.

 

A GFA é, por sua vez, controlada pela GEFI, holding empresarial ligada ao MPLA — o que significa que, com a saída da Maersk e na ausência de informação sobre quem comprou a fatia de 51%, a ligação ao partido no poder ganha peso relativo na estrutura da empresa que agora controla três infra-estruturas estratégicas de transporte no norte do país.

 

Para a EPS-EP, a passagem de testemunho no Soyo representa uma “nova fase” de maior qualidade, eficiência e modernização do serviço. O presidente do conselho de administração, Fernando Dias, recordou que o terminal nasceu há quatro anos como resposta do Executivo às dificuldades de mobilidade entre Cabinda e o resto do território nacional, devido à descontinuidade geográfica entre as duas regiões — e considera que “esta iniciativa do Executivo tem produzido resultados concretos”.

 

Do lado da concessionária, o administrador executivo Anatolio Barreiro agradeceu a confiança do Executivo e comprometeu-se com a manutenção da infra-estrutura e a melhoria contínua dos serviços, com foco em segurança, conforto e eficiência no transporte fluvial.

 

A cerimónia, presidida ao nível nacional pelo secretário de Estado para a aviação civil, marítima e portuária, Adilson Catala — que classificou as novas concessões como “um avanço concreto na transformação do sector” — contou também com a presença do Governo da Província do Zaire, da Administração Municipal do Soyo, de representantes do Porto de Cabinda, da Secil Marítima, da Capitania do Porto, da ARCCLA, da Polícia Nacional e de autoridades eclesiásticas e tradicionais.


Revista Líder 


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