Isabel dos Santos: de Vilã a Heroína? - Ilídio Manuel



O nome da empresária Isabel dos Santos (IS) tem estado nas bocas do mundo e a dividir as opiniões, depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter produzido, na semana passada, uma sentença a favor da primogénita de José Eduardo dos Santos no polémico “caso EFACEC”.


De acordo com a sentença, que está a ser amplamente divulgada no espaço público, a antiga gestora da SONANGOL fez recurso ao crédito de dois bancos portugueses para adquirir as suas acções na EFACEC, apesar de as dívidas não terem sido ainda honradas.


Esta decisão judicial colide frontalmente com as informações que foram postas a circular, de um tempo a esta parte, que apontavam que IS ter-se-ia locupletado do dinheiro do erário para satisfazer os seus interesses pessoais, assim como empresariais. 


Para uns, a empresária foi alvo de uma tremenda injustiça, depois de ter sido acusada “sem provas” pelas autoridades angolanas, sobretudo por parte de JLo, de ter desviado elevadas somas do tesouro nacional.

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Para outros, isso não “iliba” IS dos enormes escândalos financeiros em que o seu nome aparece associado e que, segundo os seus detractores, contribuíram grandemente para o actual descalabro económico e financeiro que o país atravessa.


Ninguém em sã consciência pode negar que ela não tenha beneficiado do posicionamento do seu progenitor do aparelho do Estado e na gestão das finanças públicas, que fizeram de IS uma das maiores fortunas em África. Aliás, não foi em vão que ela foi considerada a mulher mais rica do continente.


Numa entrevista que concedeu nesta terça-feira, 09, à rádio Essencial, a empresária disse, em sua defesa, que estava a ser alvo de uma ampla campanha de perseguição política, mormente por parte de JLo, por crimes que, segundo ela, não cometeu.


Aproveitou a ocasião para fazer crer que ela não chegou à fortuna por via da delapidação do erário, mas como resultado da sua capacidade de multiplicar a riqueza, ao mesmo tempo que gerava empregos.


Em alguns círculos de opinião, crê-se que a sentença do Tribunal português, não só trouxe à superfície uma evidência, como também terá contribuído para afundar a imagem da já descredibilizada da justiça angolana, cujos tribunais não gozam de boas referências, tanto no interior como no exterior do país.


O facto de JLo ter feito pronunciamentos que acusavam IS de ter desviado dinheiro do erário, está a ser interpretado como uma atitude “precipitada” e de “interferência” do poder político em questões de natureza judicial, que colocaram em causa a separação de poderes.


Em meio à polémica instalada, algumas vozes têm surgido em defesa de IS, sobretudo pelo facto de a empresária ter criado vários empregos, mesmo sabendo-se da origem subterrânea da sua fortuna.


As mesmas vozes não têm conseguido disfarçar a sua insatisfação pela forma como JLo tem conduzido os destinos do país, onde são cada vez mais visíveis os sinais de elevados índices de pobreza devido às erráticas políticas económico-financeiras por ele implementadas.


Nessa óptica, têm igualmente direccionado as suas críticas ao tão propalado combate à corrupção, que consideram um autêntico fracasso, assim como ao seu carácter selectivo, por aparentemente visar apenas figuras afectas ao ex-presidente Eduardo dos Santos. Ou seja, por ter como foco pessoas ligadas ao antigo PR. 


No entanto, não tem passado despercebido o silêncio observado da imprensa estatal angolana que, até à data, não noticiou ou fez alguma referência, ainda que mínima, à sentença da EFACEC a favor de IS.


De forma tendenciosa, a imprensa, que agora tem estado a silenciar este caso de repercussões internacionais, foi a mesma que, num passado recente, diabolizou IS no chamado escândalo _Luanda Leaks_.

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