Hoje, 09 de Junho de 2026, no Bairro Tchibale, presenciei uma cena que me deixou com o coração apertado e com vergonha da farda que devia proteger-nos.
Por volta das 16 horas, uma zungueira vendia peixe seco “MAIEL” na rua. Um agente da Unidade de Reação e Patrulha - URP abordou-a e consumiu o peixe no local. Quando terminou, a senhora cobrou os 200 Kz do valor. O agente recusou pagar. Começou trocas de palavras entre ambos.
Em seguida, o agente agarrou a senhora pelos braços/roupa numa tentativa de agressão física. A população, vendo uma mãe zungueira ser tratada assim, indignou-se e começou a juntar-se no local. O clima ficou tenso, a confusão era iminente.
Para evitar que o bairro explodisse e que aquela mãe fosse humilhada, eu mesmo me aproximei, apurei os factos e paguei os 200 Kz do peixe que o agente tinha consumido. Pensei que, com o pagamento feito, a situação acalmaria.
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Lamentavelmente, aconteceu o contrário. O agente desviou a agressividade para mim. Agarrou-me pela camisola, fez ameaças e chegou a telefonar para seus colegas pedindo que viessem para me deter. Como vi que o mesmo estava embriagado, usei a psicologia de forma a lhe acalmar, pese embora que esteve proferi ameaças sobre mim. Apenas pedi calma e procurei separar as partes, como qualquer cidadão faria.
A confusão só terminou quando o colega do agente que estava presente interveio e o retirou do local à força. O povo do Tchibale ficou em choque. Uma mãe que luta pelos 200 Kz para sustentar a casa foi tratada como criminosa. Um cidadão que pagou para evitar briga foi tratado como inimigo.
Lamento profundamente este episódio por 3 razões:
1°. Lamento pela zungueira, uma mulher que acorda cedo, enfrenta o sol e a chuva para vender peixe e pôr comida na mesa. Em vez de proteção, encontrou agressão de quem devia protegê-la.
2°. Lamento pelo povo do Tchibale, pois cada episódio como este destrói um pouco mais a confiança entre polícia e comunidade. O agente passa a ser vista como medo, não como segurança.
3°. Lamento pela própria Polícia Nacional, Homens e mulheres da URP arriscam a vida todos os dias pelo povo. Ações como esta mancham o sacrifício de todos os bons agentes.
Para terminar, apelo ao Comando Provincial da Polícia Nacional da Lunda-Norte, propriamente os
Senhores Comandantes que, o povo do Dundo assim como de outras geografias não quer guerra com a polícia. Quer polícia como agente da Ordem, Tranquilidade e Segurança Pública. Por isso apelo, com todo respeito:
Senhor Comandante Provincial da Polícia Nacional da Lunda-Norte, a polícia que Angola precisa é aquela que paga o peixe antes de comer. É aquela que, ao ver confusão, separa e não agride. É aquela que faz o cidadão dormir tranquilo (em segurança), não com o medo.
O Tchibale viu hoje o pior da polícia. Amanhã, queremos ver o melhor dela. Estamos juntos nessa reconstrução da confiança.
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