Alguém quer roubar: Estado angolano comprou 25% da Unitel por 1 bilhão de USD e está vendendo 15% por 300 milhões USD



O caso envolvendo a Unitel voltou a alimentar debate público em Angola depois de surgir a informação de que, durante o mandato do presidente João Lourenço, o Estado/INACOM terá comprado 25% da participação da OI na Unitel por 1.000.000.000 USD (1 bilhão) — em um movimento descrito por seus defensores como destinado a reconfigurar o controlo da empresa.


Segundo o que agora é questionado, anos mais tarde essa mesma participação teria sido avaliada e vendida na bolsa, desta vez correspondendo a  15%, por 300.000.000 USD (300 milhões).


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A discrepância apresentada por analistas e cidadãos é simples e direta: se o valor pago inicialmente por 25% foi de 1 bilhão, então, proporcionalmente, 15% deveria corresponder a um montante maior do que os 300 milhões divulgados.


Matemática do episódio (como é alegado):

- Se  25% = 1.000.000.000 USD, então  1% = 40.000.000 USD. - Logo, 15% = 15 × 40.000.000 = 600.000.000 USD.


Com isso, conclui-se que 15% deveria valer cerca de 600 milhões, mas teria sido vendido por 300 milhões — o que, na leitura de quem levanta a questão, representa  perda de aproximadamente metade do valor em poucos anos.


Para muitos observadores, a dúvida central não está apenas no resultado numérico, mas na  justificativa económica e nos termos da operação: haveria desvalorização real do ativo? existiriam condições específicas no processo de venda? haveria diferenças de estrutura (preço, liquidez, momento de mercado, risco, condições contratuais) não consideradas na comparação?


Até aqui, o debate permanece sem resposta conclusiva. Ainda assim, as contas levantadas reacendem uma reflexão mais ampla sobre transparência, coerência e consistência das decisões de política económica e societária — especialmente quando, no mesmo ciclo de tempo, a leitura pública é a de que o Estado comprou por um valor e depois vendeu por outro significativamente menor.


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