Bandeiras económicas- Ricardo David Lopes

 


Em todo o mundo, existem empresas nacionais, ou de “bandeira”, que identificam e se identificam com os respectivos países. Umas vezes estatais, outras privadas, total ou parcialmente, operam frequentemente em sectores estratégicos, como energia, telecomunicações, ou infraestruturas.

São companhias de grande dimensão e que muitas vezes integram o imaginário colectivo dos cidadãos, que com elas têm laços até emocionais, estando especialmente sujeitas ao escrutínio dos media e da opinião pública.

Estão fortemente enraizadas na sociedade e nas comunidades, alimentando uma ligação emocional dos cidadãos à sua marca.

Em Portugal, empresas como a EDP, a Galp Energia, a TAP, ou a RTP, entre outras, enquadram-se nesta categoria. Em França, poderíamos apontar os casos da TotalEnergies, Air France ou France Telecom. Na região onde Angola se insere, encontramos, na África do Sul, a Eskom, a TMN ou a Vodacom.


Fisioterapia ao domicílio com a doctora Odeth, liga agora e faça o seu agendamento, 923593879 ou 923328762


Os exemplos são intermináveis, mundo afora.

Em Angola, isto aplica-se a empresas como a Sonangol, a TAAG, ou a ENSA, ou bancos como o BPC. São frequentemente notícia estão sujeitas a comentários na praça pública por parte de especialistas, umas vezes imparciais, outras nem tanto, uns mais informados, outros menos.

Faz parte do jogo mediático e do jogo democrático.

A Sonangol é talvez a empresa mais escrutinada em Angola. Braço instrumental do Estado, durante muitos anos após a Independência, como operador na própria economia, tornou-se no centro de um imenso conglomerado de empresas e participações nos mais diversos sectores.

Acabou por desviar-se da sua vocação original: pesquisar por e produzir petróleo e produtos refinados, investir em inovação e na transição energética, criar mais emprego especializado de angolanos, criar futuro.

Hoje, o cenário é outro: a companhia foi reestruturada e está focada no desenvolvimento do seu core business, num país que depende fortemente das receitas do Oil &Gas para o seu desenvolvimento e onde a produção de petróleo enfrenta desafios conhecidos.

A Sonangol é notícia frequentemente, e a sua dívida é sempre um tema. Sobretudo, quando aumenta, o que ocorreu de forma amplamente noticiada em 2025, com base no Relatório e Contas, auditado pela Deloitte.

Mas o crescimento da dívida não deve ser interpretado apenas – como transparece em algumas análises – como um sinal de pressão financeira. Está em causa uma necessidade estratégica de investimento num sector em transformação profunda, num contexto de necessidade de modernização de infra-estruturas e onde a capacidade de investir hoje determina a força financeira de amanhã.

O aumento da dívida, desde logo a contraída em 2025, reflecte a decisão de acelerar projectos estruturantes e de responder a desafios de tesouraria que fazem parte da vida de uma empresa desta dimensão.

E se aumentou a dívida, registou igualmente um crescimento de 8,5% nos seus activos (32,9 mil milhões USD), o que confere robustez à companhia e lhe dá confere mais confiança nos mercados internacionais.

No “fim do dia”, apresentou lucros de 945,6 milhões USD, um aumento de 17% face ao período anterior.

Num sector como o energético — intensivo em capital, dependente de inovação e sujeito a ciclos de preço — não investir é perder competitividade.

As pares internacionais da Sonangol, algumas delas concorrentes da empresa no país, investem fortemente, alavancadas igualmente em dívida, para gerar crescimento – que por sua vez gera capacidade financeira para honrar o pagamento da dívida que foi necessária.

A Sonangol tem vindo a diversificar as suas fontes de financiamento e a conquistar o seu espaço nos mercados internacionais, ganhando confiança. E tem um papel a desempenhar no próprio mercado de capitais angolano.

Aguardemos, por isso, pela continuação de bons resultados, tendencialmente gerados em especial pela actividade core da companhia. É isso a que queremos (e vamos) assistir.


Por: Ricardo David Lopes


Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação

Postar um comentário

0 Comentários