Caso Grupo OPAIA: Viva o MPLA — Zé Manel



Em 2024, o grupo OPAIA recebeu um “despacho presidencial direto” no valor de cerca de 324 milhões de dólares para a aquisição de 600 autocarros. Na altura, a polémica foi imediata: não tanto pela ideia de renovar transportes, mas pelo valor astronómico e pela forma como o processo foi apresentado,  sugerindo pressa, exceção e pouca transparência.


O certo é que, perante as dúvidas públicas, o então ministro dos Transportes avançou uma explicação que, à primeira vista, tentava organizar o enredo: dizia que o orçamento não se limitava aos autocarros, pois contemplaria igualmente uma fábrica de montagem de automóveis para exportação. Ou seja, a defesa era clara—não seria apenas compra; seria também indústria, criação de capacidade produtiva e potencial saída para o mercado externo.

Só que, entre o que foi dito e o que se viu (ou se deixou ver), há um silêncio pesado.

Sobre esses projetos—quer os autocarros, quer a prometida unidade industrial para exportação— nada mais se soube. E quando um investimento tão grande é anunciado e depois desaparece do debate público, não é a oposição que fala; é o próprio cidadão que fica com a pergunta na garganta: onde está o resultado?


Fisioterapia ao domicílio com a doctora Odeth, liga agora e faça o seu agendamento, 923593879 ou 923328762


Porque autocarros comprados sem prestação de contas detalhada viram apenas números; fábricas anunciadas sem balanço viram apenas discurso. E enquanto isso não é explicado com factos verificáveis, a conversa pública acaba inevitavelmente por se dividir entre duas hipóteses: ou o plano foi executado com eficiência (e então seria fácil demonstrar), ou houve desvio entre o que se prometeu e o que se entregou (e então o silêncio passa a ser sintoma).

E aqui está a questão central: não basta afirmar que há projetos paralelos. É preciso mostrar cronogramas, contratos, metas, locais, estatísticas de produção, evolução da exportação e auditorias independentes. Sem isso, a “fábrica para exportação” fica reduzida a uma frase conveniente, usada para cobrir a parte mais contestada.

Dizem-nos “esperem”; mas esperamos há tempo suficiente para exigir respostas.

Por isso, este artigo não é contra o MPLA nem é contra a ideia de modernizar transportes ou promover indústria. Pelo contrário: é por Angola, por instituições fortes, por decisões que possam ser defendidas sem precisar de desculpas tardias. O MPLA tem história, tem peso e tem responsabilidades. E responsabilidade, hoje, significa sobretudo clareza.

Porque um país que cresce não se explica pelo mistério—explica-se pelo desempenho. E o desempenho, no fim, tem de aparecer.

E Viva o MPLA,  sim—mas com verdade, com transparência e com contas que não deixem o povo à espera do que nunca chega.  


Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação 

Postar um comentário

0 Comentários