Diretora de Comunicação do FADA confirma: ex-PCA mantém controlo da instituição



A Directora de Comunicação do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) confirmou ao Valor Económico que a ex-PCA, Felisberta Escórcio, continua a “despachar” e a assumir, na prática, o controlo dos assuntos correntes da instituição, mesmo após a sua exoneração e nomeação para Inspectora-Geral do Estado (IGAE).

A situação foi inicialmente noticiada no dia 01 de Julho de 2026, quando o Valor Económico publicou uma matéria no seu site dando conta de que a liderança da instituição permanecia sob influência da antiga PCA, dois meses depois de ser exonerada.

No mesmo dia, em resposta ao artigo, o FADA divulgou uma nota de imprensa na qual sustenta que a notícia do jornal “não reflecte a realidade institucional actualmente vivida pelo Fundo”, argumentando, em vários pontos, que a matéria deveria ter sido sujeita ao exercício do contraditório, o que — segundo o FADA — não teria acontecido.

Perante as divergências, o jornal afirma ter recolhido esclarecimentos em sede própria com a Directora do Gabinete de Marketing e Comunicação do FADA, Amélia Escórcio, a qual teria prestado informações oficialmente ao Valor Económico.


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Segundo a narrativa apresentada pelo jornal:

- a directora teria sido contactada para dar esclarecimentos no contexto de uma peça ligada ao Programa Fer-tilizaAngola;

- e nesse âmbito teria orientado a jornalista a dirigir uma carta à ex-PCA, sustentando que Felisberta Escórcio continuava a despachar os assuntos correntes da instituição.

O jornal acrescenta que, confrontada com o motivo de a antiga PCA ainda exercer essa função, Amélia Escórcio teria explicado que ainda não havia sido nomeado um novo PCA.

Além disso, o jornal diz ter apurado junto de outros funcionários do FADA que:

- a correspondência e missivas deveriam ser endereçadas à ex-PCA, até à nomeação de um novo responsável.

O Valor Económico afirma ainda que, horas antes da publicação da nota de imprensa do FADA, foram feitos contactos directos por dois responsáveis do Fundo, identificados pelo jornal como Amélia Escórcio e Custódio Jacinto, com o objectivo de interferir no conteúdo da notícia já em fase de divulgação.

De acordo com o comunicado, as pessoas envolvidas teriam:

- exigido a remoção da matéria do site;

- e utilizado linguagem descrita pelo jornal como insultuosa, grosseira e abusiva, incluindo insinuações de que haveria alegadamente “pagamento” para publicação.

O jornal sustenta também que dispõe de áudios dessas conversas e que poderá divulgá-los, se necessário.

Em paralelo, o texto enviado por entidades à esfera do Estado solicita a abertura de investigação ao Sr. António Dias da Silva,  descrito como Diretor do Gabinete da PCA cessante, por alegadas práticas de corrupção,  tráfico de influência e favorecimento de fornecedores — com menção específica a tratores.

A denúncia afirma que existem suspeitas de que a “PCA cessante” terá procurado influenciar a sua permanência ou nomeação para garantir a continuidade de interesses associados à gestão anterior. Acrescenta ainda a alegação de que a atuação teria ultrapassado competências, em prejuízo da boa governação e dos interesses dos produtores.

A mesma comunicação levanta, como preocupação adicional, a existência de processos com datas retroactivas encaminhados para a IGAE, mencionando documentos provenientes de PGR e das figuras referidas, incluindo o Dr. João Pinto, e refere a hipótese de que os processos estariam a ser “enviados para ela mesma” com o intuito de “abafar”.

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