Aproveitamento começou por ser avaliado em 650 milhões USD, mas estimativas posteriores apontam para um investimento acumulado próximo de 4 mil milhões. Quase 40 anos depois do início das obras, o Estado autorizou mais 492,9 milhões USD para reabilitar e modernizar uma central afectada pela obsolescência dos equipamentos.
O Aproveitamento Hidroeléctrico de Capanda vai entrar numa nova fase da sua longa e cara história. O Executivo autorizou uma despesa global de 492,9 milhões USD para reabilitar e modernizar a central de 520 MW, praticamente quatro décadas depois do início efectivo da construção e quase duas décadas depois de ter atingido a capacidade máxima de produção. O Despacho Presidencial n.º 307/26, de 14 de Agosto, justifica a intervenção com a obsolescência dos equipamentos, susceptível de provocar instabilidades operacionais e afectar a disponibilidade da central. O objectivo é actualizar sistemas auxiliares críticos para garantir a estabilidade dos quatro grupos geradores, que totalizam 520 MW. O programa inclui peças sobressalentes, operação e manutenção, modernização e substituição de equipamentos e a construção de um centro de operação de geração.
A maior parcela da nova factura, 442,21 milhões USD, corresponde à empreitada de reabilitação e modernização, adjudicada através de contratação simplificada ao Consórcio Electra, constituído pela Sinohydro Angola, Gemcorp Commodities Global e Mwanza Power. A fiscalização, entregue ao consórcio COBA/DAR, custará 16,50 milhões USD, enquanto a coordenação e gestão técnico-financeira, a cargo da IMBONO, representa outros 34,18 milhões USD. Somadas as três componentes, a despesa autorizada ascende exactamente a 492,89 milhões USD, dos quais 50,68 milhões correspondem a fiscalização e gestão.
O projecto será inscrito no OGE/PIP de 2026. Há ainda um elemento relevante para as contas públicas: Capanda volta a recorrer ao financiamento externo. O diploma determina que o programa seja enquadrado nas linhas de crédito internacionais que a Gemcorp dispõe junto do Ministério das Finanças. Isso significa que os 492,9 milhões USD representam o valor dos contratos agora autorizados, mas o custo financeiro final para o Estado será muito maior e dependerá das condições desses créditos, nomeadamente juros, maturidades e eventuais comissões, que não são reveladas no despacho.
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A História
A história de Capanda começa em 1982, quando Angola e a então União Soviética estabeleceram o enquadramento para a construção da barragem no rio Kwanza. O projecto juntaria a soviética Technopromexport, responsável por equipamentos e montagem electromecânica, e a brasileira Odebrecht nas principais obras de construção civil.
O custo inicial ficou associado a cerca de 650 milhões USD, num projecto que Angola, com dificuldades de acesso a divisas, financiou parcialmente através de um mecanismo com o Banco do Brasil ligado às receitas das exportações de petróleo. Mas os 650 milhões rapidamente deixaram de traduzir o verdadeiro custo previsto.
Um relatório do Banco Mundial mostra que, com o aprofundamento dos estudos técnicos, em 1987 o investimento directo já era estimado em 1,25 mil milhões USD, subindo para 1,6 mil milhões quando incluídos os encargos financeiros. Em Outubro de 1988 estavam garantidos apenas cerca de 691 milhões USD para financiar o empreendimento. Posteriormente foram obtidos mais 120 milhões através do Banco do Brasil, mas continuava a existir um défice de financiamento.
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