CUANZA-NORTE: FALTA DE ESCOLA E POSTO DE SAÚDE PROVOCA ÊXODO DE MORADORES NO BEBÉ ÁGUA



 A falta de escola e de posto de saúde, aliada à ausência de energia eléctrica da rede pública, está a provocar o êxodo de moradores do bairro Bebé Água, situado a cerca de sete quilómetros a oeste da cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte.


A preocupação é manifestada pela soba do bairro, Filomena Secundino Zua, de 63 anos, que afirma que a carência de serviços sociais básicos tem levado várias famílias a procurar melhores condições de vida noutras localidades.

Em declarações ao Jornal Hora H,  a autoridade tradicional, conta que as crianças da comunidade são obrigadas a percorrer vários quilómetros até ao bairro vizinho para frequentarem as aulas, devido à inexistência de uma escola na localidade.


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“Ainda recordo que, no passado, o meu pai mobilizou os moradores para construir uma escola de carácter precário, feita de adobe. Hoje já não existe e as crianças percorrem quilómetros até ao bairro vizinho para assistir às aulas”, lamentou.

Filomena Zua considera preocupante a ausência de um posto de saúde, sobretudo para atender situações de emergência, e defende a criação de condições sociais capazes de reduzir a saída da população.


Localizado a cerca de sete quilómetros a oeste da cidade de Ndalatando, com acesso pela Estrada Nacional 230, o bairro foi fundado pelo então soba Secundino Zua Cahungui, que chegou à região na década de 1970, na sequência do conflito armado que assolava o país.

De acordo com Filomena Zua, a denominação “Bebé Água” surgiu devido à existência de uma nascente que brotava entre as rochas e atravessava o interior da comunidade.

A população local vive essencialmente da agricultura, com destaque para a produção de mandioca, milho, feijão, ginguba e banana. A soba afirma, contudo, que as terras estão actualmente “cansadas” devido aos vários anos de cultivo, situação agravada pela pouca chuva registada este ano.

“O nosso desejo é encontrar outras terras para o cultivo”, afirmou.

O bairro conta actualmente com cerca de 250 habitantes, entre crianças, jovens, adultos e idosos. Cerca de 80% dos moradores, segundo a soba, possuem Bilhete de Identidade e estão a ser sensibilizados para participarem no processo de actualização do registo eleitoral oficioso.


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