A população de vários municípios da província do Moxico tem estado a recorrer às casas de curandeiros, vulgo “Kimbandas”, por falta de medicamentos e técnicos de saúde em algumas unidades hospitalares daquele território nacional, disse recentemente a este Portal o Soba Costa Kuvakane Divamba proveniente da aldeia Tchiweka.
Segundo aquela autoridade tradicional, a população está atirada na miséria por falta de políticas sérias por parte do governo local, e todos os municípios têm dificuldades nos sectores da educação, energia eléctrica, vias de comunicação, a população consome água não tratada, há falta de hospitais em algumas comunidades e as que têm, falta médicos e
medicamentos. O soba Tchiweka, que se encontra na capital do país para manter contacto com a ministra da Cultura Carolina Cerqueira, para informar e receber o reconhecimento da sua legitimidade, reforçou que o que mais afecta a comunidade que dirige é a falta de um rei que possa representá-los e fazer chegar os problemas ao Executivo angolano como se regista nas outras regiões do país.
O soba Costa Kuvakane Divamba salientou que já escreveu várias vezes para o extinto Ministério da Administração do Território (MAT), e agora ao da Cultura e o governo provincial do Moxico, para informar a existência e a cerimónia tradicional que se pretende realizar para a eleição do rei, mas nunca houve um parecer favorável do ministério de tutela. “Mas este ano vamos fazer tudo para que este acto aconteça”, garantiu.
“Nos sentimos abandonados porque o povo não tem um representante legal dentro da comunidade, por isso é que a região leste do país não tem desenvolvimento económico, emprego, saúde, estradas, água potável, energia eléctrica e muito mais”, disse o soba. Aquela autoridade tradicional disse ainda que as escolas que existem nas comunidades não têm professores e os alunos passam o dia sem fazer nada.
“Para não continuarmos a ter crianças fora do sistema de ensino, portanto gostaríamos que o governo resolvesse os problemas básicos da população, porque não se admite, em pleno século XXI, as mulheres grávidas serem levadas na tipóia ou nas costas para ir fazer o parto no hospital que se encontra a trinta e cinco quilómetros de distância por falta de unidades hospitalares próximas”.
A PROVÍNCIA E AS RAVINAS
“A cidade do Luena está a ser ameaçada pelas ravinas e se não haver a pronta intervenção do governo vamos ver a metrópole dividida em duas partes apesar do serviço paliativo que o executivo local tem estado a fazer para minimizar a progressão das mesmas”, afirmou o soba Costa Kuvakane Divamba.
Divamba que alega ser o principal candidato indicado pela comunidade para ascender ao trono do reino, salientou ainda que a maioria da população do Moxico sobrevive da agricultura, pesca, caça, apicultura, moto-táxi e venda ambulante, tudo por falta de emprego para a juventude, portanto a miséria é extrema. “Sabemos que a exploração de madeira na província do Moxico tem sido cada vez mais concorrida e gostaríamos que uma parte das receitas provenientes destes recursos fosse revertido para a construção de infra-estruturas que serviriam para o benefício da comunidade, porque até hoje vimos que os filhos, órfãos e mulheres dos ex-combatentes e deslocados de guerra continuam a pedir esmola nas ruas da cidade do Luena”.
A autoridade referiu ainda que alguns dos antigos combatentes que recebem subsídios, “não chega para nada; um chefe de família faz o quê com vinte e quatro mil Kwanzas, uma vez que o custo de vida tem estado a subir a cada dia que passa? Portanto, se os que ganham duzentos e cinquenta mil não se satisfazem, 24.000Kz para todo o mês não chega para nada”, afirmou o soba. “Ao Presidente da República, gostaria deixar o seguinte apelo: como afirmou na sua campanha eleitoral, que iria melhorar o que está bom e corrigir o que está mal, estas palavras trouxeram conforto para o povo do Tchazi na província do Moxico, e esperamos que se faça mesmo o que prometeu, porque no país há falta de emprego, hospitais condignos, técnicos qualificados, estradas, escolas e muito mais”, disse o soba Costa Kuvakane Divamba.
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Pedro Lauro C Muenho

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