É PRECISO MAIS RIGOR E DISCIPLINA (JES)- Rui Kandove



Angola não sofre de escassez de ideias. O país está cheio de planos estratégicos, programas ambiciosos e discursos que prometem transformação. Mas como reconheceu José Eduardo dos Santos, em 2016, no discurso de abertura da sessão legislativa da Assembleia Nacional:


“Temos boas ideias, bons projectos, bons programas, mas quando entramos para a fase de implementação dos mesmos os resultados ficam muitas vezes longe do que se esperava.”¹


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Quase uma década depois, essa frase continua a ecoar com desconfortante atualidade. O problema não está na concepção — está na execução, e logicamente nas pessoas a quem se confia a execução.


Desde 2017, João Lourenço apresentou-se como o rosto da reforma, prometendo combater a corrupção, moralizar a administração pública e tornar o Estado mais eficiente. No entanto, passados oito anos, os resultados revelam que a cultura de informalidade, opacidade e falta de responsabilização persiste.


Três dados são particularmente reveladores:

 • Mais de 70% dos contratos públicos continuam a ser adjudicados sem concurso transparente²;

 • O PRODESI não atingiu 30% das metas até 2024, ficando em cerca de 28% de execução³;

 • O Tribunal de Contas denunciou desvios financeiros em administrações municipais, sem consequências claras⁴.


Esses indicadores não apenas confirmam a crítica de dos Santos — mostram que o problema se agravou sob uma nova roupagem política. Na verdade, o que falta não é plano — é postura-quadros comprometidos.


A ausência de rigor e disciplina não é apenas técnica. É ética. É institucional. É cultural. O Estado continua a funcionar com base em lealdades pessoais, improvisações administrativas e promessas não acompanhadas de mecanismos de execução.


Este não é um destino inevitável. Outros países africanos mostraram que é possível inverter a lógica. Cabo Verde fortaleceu a confiança pública através de transparência orçamental e auditorias regulares, enquanto Ruanda consolidou mecanismos de responsabilização e avaliação contínua da administração pública. 


Angola, no entanto, insiste em manter o divórcio entre o que anuncia e o que realiza — como bem advertiu José Eduardo dos Santos. É possível romper o ciclo? 


A transformação exige mais do que slogans. Exige coragem moral e estrutura funcional:

 • Auditorias independentes e regulares em todos os programas públicos;

 • Publicação obrigatória de relatórios de execução com metas, prazos e resultados;

 • Formação contínua de gestores públicos em ética, planeamento e avaliação;

 • Participação cidadã na fiscalização e definição de prioridades locais;

 • Escolha criteriosa de quadros com competência técnica e alto nível de comprometimento.


Aqui cabe destacar que Angola dispõe de jovens gestores e líderes locais que demonstram profissionalismo e espírito público, capazes de separar militância política de serviço à comunidade. Naulalia André, Nádia de Sousa e Sandra Batalha estão no caminho certo. Essa geração, se devidamente apoiada, pode ser chave para uma nova moralização da administração pública. Kilamba Vandunem,Figueredo Mateus, Paulo Vicente e Tito Cambaje  seria recomendáveis para o governo central.


                          Conclusão


A retórica do rigor precisa ser substituída pela prática da responsabilidade. O futuro de Angola não será construído por discursos bem escritos, mas por atitudes bem executadas.


A fala de José Eduardo dos Santos permanece como alerta — e a gestão atual como espelho. Enquanto os governantes insistirem em prometer sem executar, e enquanto a sociedade aceitar esse divórcio entre palavra e prática, a reforma continuará a ser apenas um ritual político — não um projeto de transformação nacional.



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