PODER EM QUEDA BENGALA PARTIDA- JORGE EURICO



Li, de um só trago, o artigo de Rui Verde, “MPLA Rumo à Derrota em 2027”, publicado no Maka Angola. Grande maka! O texto é instigante. Mas o diagnóstico é precipitado. Prever a queda do poder é fácil. Difícil é mostrar quem está pronto para o substituir. E, até ver, a UNITA continua a perder… para si própria.


 O MPLA dispensa adversários para complicar a sua própria vida: Consegue fazê-lo sozinho. Sem o concurso de ninguém. A Administração Lourenço vive numa redoma de vidro. Há inaugurações aqui, reuniões do Conselho de Ministros ali… e um festival de viagens sempre que o chão treme. A diplomacia presidencial soma milhas. Mas não soluções. Governa-se mais com carimbos no passaporte do que com políticas para o cidadão.


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 Angola sangra. Sofre e chora em silêncio. A dor é funda. Lancinante. A fome não tira férias. O desemprego não pede licença. A exclusão não conhece calendário eleitoral. João Lourenço descobriu sem querer uma forma elegante de se auto-excluir da História: Vai passando, enquanto a miséria fica.


A UNITA é a eterna promessa. Uma moça feia e virgem. Vestida de branco, à espera de um príncipe que não chega. O partido liderado por Adalberto Costa Júnior carrega a mesma cassete de sempre: Fraude eleitoral, corrupção, cinquenta anos de má governação. Um refrão gasto. Repetido à exaustão. Já não levanta ninguém para dançar.


Bala na câmara. Apontar e disparar a verdade: A UNITA não está com nada. Capitaliza (mal) a má governação do MPLA. A fome. O desespero dos cidadãos. Mas faltam-lhe ideias. Propostas. Planos concretos para cultura, e turismo. Saúde e educação. Desporto e transportes. Não tem caminhos para levar o desenvolvimento para além do litoral. Falta-lhe quase tudo e mais alguma coisa. 


 Pior: A UNITA vive numa contradição permanente. Participa nos órgãos de soberania. Mas recusa-se a indicar delegados para a CNE. Depois grita fraude. Vota contra o programa financeiro do Executivo. Mas exige que o País funcione. Fala alto no Parlamento. Mas prefere marchar atrás das organizações da sociedade civil. E, quando as manifestações aquecem, a reacção é sempre a mesma: “Aqui d’el-Rei!”. Abandonam os activistas quando estes são detidos pela Polícia Nacional. 


O MPLA conhecêmo-lo de ginjeira: Meio século no poder ensina a sobreviver. Já a UNITA ainda tenta reaprender a fazer política sem ter a Kalashnikov como bengala. Governar um País não é o mesmo que administrar a “capital paralela” de Jonas Savimbi, a famosa Jamba. Gerir 40 milhões de angolanos exige mais do que controlar as 30 mil almas que viviam no bastião da UNITA, símbolo da Guerra Fria.


O discurso corrosivo da UNITA contra o Executivo já não surpreende ninguém. Quando a UNITA fala, o País inteiro sabe, de cor e salteado, o que vai ouvir. Grita contra. Mas não explica para quê. Aponta o dedo. Mas não mostra o caminho. E aqui está o ponto que Rui Verde esqueceu no seu vaticínio: O MPLA só vai cair quando houver quem saiba levantar Angola. E, por enquanto, a UNITA ainda não mostrou que sabe.


Em 2027, o MPLA vai vencer de novo. Não por mérito. Mas por inércia. Porque, entre um partido que governa mal e outro que ainda não sabe governar, o eleitor vai continuar a escolher o mal conhecido. No fim do dia, entre MPLA e UNITA, sobra-nos apenas uma esperança: A de chamar o diabo… e deixá-lo decidir.



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